A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

sábado, 7 de abril de 2012


Deus –  O  Supremo  Criador  de  Todas  as  Coisas

por Hélio Cannizzaro
 

v  “Não se enquadra na concepção logosófica que a criatura humana possa encerrar Deus numa estátua, numa casa, num país, num continente, num planeta – ou mesmo no Universo inteiro -, pois estima que tudo resulta limitado e estreito para as dimensões da sua Excelsa Imagem, inabarcável para a mente humana.” (González Pecotche).

v   “Vem ao caso perguntar: qual teria sido o objetivo perseguido por Deus ao pôr no mundo uma raça de seres, inteligentemente dotados, que o ignorassem e vivessem à margem da Criação Universal?.” (González Pecotche)


O pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963), criador da ciência humana “Logosofia”, apoiado nos seus aprofundados estudos e nos resultados obtidos das cuidadosas investigações científicas, concluiu que Deus é a Imensidão; é o Eterno; é a Suprema Ciência da Sabedoria e sendo a sua concepção única e inabarcável em virtude da sua dimensão cósmica, cada ser humano deva realizar esta Ciência da Sabedoria dentro de si mesmo na medida em que os conhecimentos adquiridos para esse fim permitam aproximar-se Dêle.


Isto significa dizer que a aproximação a Deus se dá pela posse de conhecimentos que podemos descobrir em cada um dos processos exatos da vida humana e da vida universal. Noutras palavras, Deus, - no conceito logosófico – é a imensidão, mas essa mesma imensidão se reduz simbolicamente ao formato da minha ignorância ou se amplia pela evolução que eu tenha sido capaz de acumular em meu ser interno – mental, moral, psicológico e espiritual, durante o meu existir neste mundo.


A Logosofia coloca Deus no ponto mais elevado enquanto nós humanos cometemos a estultice de reduzir a sua imagem num quadro emoldurado e pendurado numa parede; de uma gravação numa medalhinha presa a um trancelim colocado no pescoço humano como adorno ou numa escultura em que fica caracterizada a tentativa de materialização do abstrato – face oposta do concreto.


Para o vulgo, Deus se confunde com um parente mais próximo. O desrespeito e a  irreverência são de tal ordem que muitos acreditam privar da sua intimidade e sem qualquer cerimônia pedem tudo a Êle, inclusive ganhar nas loterias, fazendo todo tipo de promessas que nem sempre são cumpridas ou confiando cegamente que sempre serão atendidos nos seus insanos propósitos de vingança contra algum desafeto seu,  por pretenso direito ou suposta justiça.


Para as pessoas cultas e esclarecidas, que sempre cultivaram sadias inquietudes frente ao ignoto e intuíram que a vida humana não pode ser só o espaço compreendido do primeiro ao último dia do seu ser físico, Deus é visto e sentido pela fé ou no culto das inúmeras crenças, ritos e dogmas de origem milenar.


Há nessa postura mística de fé da alma humana uma visível e inaceitável submissão a Deus, construída e sustentada muito mais pelo temor e muito menos pelo amor – duas forças opostas que jamais se unirão – pois não há capacidade humana de amar a quem se teme.


No fundo, todos nós queremos ver decifrado o enigma de Deus e da vida humana sem perdermos jamais a esperança de encontrar uma palavra sábia ou uma explicação sensata que acalme a nossa inquietante ansiedade de nos identificarmos com o nosso Criador.


González Pecotche, educador, cientista e humanista, com notável sabedoria e lógica sobre esse tema controverso, esclarece:


“Destaco que se a Criação que nos rodeia e da qual formamos parte não é por si mesma, suficientemente eloquente para persuadir o homem de que a existência de Deus é inegável, muito menos poderá ser a palavra de um semelhante, por mais que se empenhe em demonstrá-lo.
 

Quando se afirma que Deus existe, é absolutamente necessário acompanhar tal afirmação com uma proposição desvinculada de qualquer ideia que o limite ou impeça de concebê-lo em sua imensidão, onipotência e infinidade. Partindo da base que a Causa Primeira é Deus e não tendo ao nosso alcance nenhum ser visível a quem se possa atribuir o ato da Criação Universal, é lógico que reconheçamos a Deus como Supremo Criador; mas a capacidade para considerar sua existência não depende dessa existência em si, senão da medida em que cada ser humano a reconheça, a sinta e a palpe individualmente.

Há duas coisas que são, sem dúvida alguma, inseparáveis, porquanto, constituem uma mesma e absoluta verdade: a Criação e seu Criador. Uma pressupõe a presença da outra, com toda a certeza; de maneira que se a Criação existe, o que nos consta porque a vemos, a palpamos e dentro dela vivemos, é impossível pôr em dúvida a existência de Quem, havendo-a concebido primeiro, plasmou-a depois em suprema realidade, ditando ao mesmo tempo as leis que mantêm seu equilíbrio e velam por sua conservação eterna”. (Do Livro: O Senhor de Sândara (pgs. 457-8).