Deus
– O
Supremo Criador de Todas
as Coisas
por
Hélio Cannizzaro
v “Não
se enquadra na concepção logosófica que a criatura humana possa encerrar Deus
numa estátua, numa casa, num país, num continente, num planeta – ou mesmo no
Universo inteiro -, pois estima que tudo resulta limitado e estreito para as
dimensões da sua Excelsa Imagem, inabarcável para a mente humana.” (González Pecotche).
v “Vem ao caso perguntar: qual teria sido o
objetivo perseguido por Deus ao pôr no mundo uma raça de seres,
inteligentemente dotados, que o ignorassem e vivessem à margem da Criação
Universal?.” (González
Pecotche)
O pensador e
cientista argentino Carlos Bernardo
González Pecotche (1901-1963), criador da ciência humana “Logosofia”, apoiado nos seus
aprofundados estudos e nos resultados obtidos das cuidadosas investigações
científicas, concluiu que Deus é a Imensidão; é o Eterno; é a Suprema Ciência
da Sabedoria e sendo a sua concepção
única e inabarcável em virtude da sua dimensão cósmica, cada ser humano deva
realizar esta Ciência da Sabedoria dentro de si mesmo na medida em que os
conhecimentos adquiridos para esse fim permitam aproximar-se Dêle.
Isto significa
dizer que a aproximação a Deus se dá pela posse de conhecimentos que podemos
descobrir em cada um dos processos exatos da vida humana e da vida universal.
Noutras palavras, Deus, -
no conceito logosófico – é a imensidão, mas essa mesma imensidão se reduz
simbolicamente ao formato da minha ignorância ou se amplia pela evolução que eu
tenha sido capaz de acumular em meu ser interno – mental, moral, psicológico e
espiritual, durante o meu existir neste mundo.
A Logosofia
coloca Deus no ponto mais elevado enquanto nós humanos cometemos a estultice de
reduzir a sua imagem num quadro emoldurado e pendurado numa parede; de uma
gravação numa medalhinha presa a um trancelim colocado no pescoço humano como
adorno ou numa escultura em que fica caracterizada a tentativa de
materialização do abstrato – face oposta do concreto.
Para o vulgo,
Deus se confunde com um parente mais próximo. O desrespeito e a irreverência são de tal ordem que muitos
acreditam privar da sua intimidade e sem qualquer cerimônia pedem tudo a Êle,
inclusive ganhar nas loterias, fazendo todo tipo de promessas que nem sempre
são cumpridas ou confiando cegamente que sempre serão atendidos nos seus
insanos propósitos de vingança contra algum desafeto seu, por pretenso direito ou suposta justiça.
Para as pessoas
cultas e esclarecidas, que sempre cultivaram sadias inquietudes frente ao
ignoto e intuíram que a vida humana não pode ser só o espaço compreendido do
primeiro ao último dia do seu ser físico, Deus é visto e sentido pela fé ou no
culto das inúmeras crenças, ritos e dogmas de origem milenar.
Há nessa postura
mística de fé da alma humana uma visível e inaceitável submissão a Deus,
construída e sustentada muito mais pelo temor e muito menos pelo amor – duas
forças opostas que jamais se unirão – pois não há capacidade humana de amar a
quem se teme.
No fundo, todos
nós queremos ver decifrado o enigma de Deus e da vida humana sem perdermos
jamais a esperança de encontrar uma palavra sábia ou uma explicação sensata que
acalme a nossa inquietante ansiedade de nos identificarmos com o nosso Criador.
González
Pecotche, educador, cientista e humanista, com notável sabedoria e lógica sobre
esse tema controverso, esclarece:
“Destaco que se a Criação que nos
rodeia e da qual formamos parte não é por si mesma, suficientemente eloquente
para persuadir o homem de que a existência de Deus é inegável, muito menos
poderá ser a palavra de um semelhante, por mais que se empenhe em demonstrá-lo.
Quando
se afirma que Deus existe, é absolutamente necessário acompanhar tal afirmação
com uma proposição desvinculada de qualquer ideia que o limite ou impeça de
concebê-lo em sua imensidão, onipotência e infinidade. Partindo da base que a
Causa Primeira é Deus e não tendo ao nosso alcance nenhum ser visível a quem se
possa atribuir o ato da Criação Universal, é lógico que reconheçamos a Deus
como Supremo Criador; mas a capacidade para considerar sua existência não
depende dessa existência em si, senão da medida em que cada ser humano a
reconheça, a sinta e a palpe individualmente.
Há duas coisas que são, sem
dúvida alguma, inseparáveis, porquanto, constituem uma mesma e absoluta
verdade: a Criação e seu Criador. Uma pressupõe a presença da outra, com toda a
certeza; de maneira que se a Criação existe, o que nos consta porque a vemos, a
palpamos e dentro dela vivemos, é impossível pôr em dúvida a existência de
Quem, havendo-a concebido primeiro, plasmou-a depois em suprema realidade,
ditando ao mesmo tempo as leis que mantêm seu equilíbrio e velam por sua
conservação eterna”. (Do Livro: O Senhor
de Sândara (pgs. 457-8).