O PROCESSO DE EVOLUÇÃO CONSCIENTE
por Hélio Cannizzaro
Galileu Galilei (1564/1642), Físico italiano, a quem a Ciência deve a introdução do método experimental como o mais importante dos métodos das ciências naturais, fez inúmeras descobertas e invenções em diferentes campos da Física, Mecânica e Astronomia.
A descoberta da lei da queda dos corpos, agasalhando o segredo da igualdade na velocidade da queda de objetos de pesos diferentes, colocou uma lápide na teoria filosófica de Aristóteles (<384 /<322), que durante dois mil anos manteve a humanidade prisioneira da “crença” de que uma pedra de dois quilos caía em velocidade dupla em relação à de um quilo.
Essa inédita descoberta tornou-se famosa gerando porém muita controvérsia pois a sua tese era um insulto a um princípio concebido pelo Pai da Matemática, mas, Galileu Galilei, apoiado na experimentação científica, convidou professores, autoridades, cientistas, estudantes universitários e do alto da torre de Pisa jogou vários objetos de pesos diferentes e da mesma densidade. Os objetos caíram sempre juntos para espanto dos assistentes, ou seja, com a mesma aceleração, e a partir daí ficou plenamente comprovado que as ciências são, por natureza, experimentais.
No plano físico, as descobertas e invenções de Galileu, somadas às milhares de descobertas e invenções de outros cientistas, acolhidas e desenvolvidas pelo trabalho do homem comum no curso dos séculos, trouxe para a geração de hoje um progresso técnico-científico-material de projeções gigantescas, traduzido nos avanços em todas as direções das atividades humanas e também pelo conforto e comodidades proporcionadas pelo uso de máquinas, aparelhos, equipamentos, utensílios, meios de comunicação, veículos, etc., cada vez mais aperfeiçoados e sofisticados. É a grande obra dos homens que pensam, estudam, investigam, observam, raciocinam, experimentam, aceitam mudanças, renovam conceitos, modificam procedimentos, corrigem rotas, pesquisam, planejam e fazem ciência do próprio trabalho.
No plano extra-físico, isto é, no psicológico, no moral, no sensível, no conhecimento de si mesmo e no espiritual, a humanidade não apresenta uma evolução compatível com os anseios e as necessidades do espírito humano porque o homem de hoje —assim como o de outrora —continua prisioneiro de preconceitos, crenças, idéias, crendices, simpatias, superstições, ritos, mandingas, dogmas, fanatismos, ideologias extremistas, etc., com idade de mais de dois mil anos que influem negativamente no seu viver e na construção de um destino melhor, impedindo-o de fazer ciência experimental na sua própria vida.
Carlos Bernardo González Pecotche (1901/1963), pensador e cientista argentino, aponta as causas determinantes desse descompasso na evolução do homem no plano imaterial, quando em seu livro Curso de Iniciação Logosófica, 18a edição, pg. 9, indaga e responde:
“Iniciaremos a exposição deste Curso perguntando porque razão a cultura vigente - ocidental ou oriental - apresenta, em todas as partes, sintomas inconfundíveis que prenunciam sua inevitável decadência. A resposta é clara, simples e unívoca: porque falha pela base. E a que se deve o fato de ela falhar pela base? Às seguintes causas:
•Não foi, nem é capaz de ensinar ao homem conhecer a si mesmo;
•Não lhe ensinou a conhecer o mundo mental que o rodeia, interpenetra e influi poderosamente em sua vida;
•Não lhe ensinou a compreender, amar e respeitar o Autor da Criação, nem a descobrir sua Vontade através de suas Leis e das múltiplas manifestações de seu Espírito Universal”.
Para combater e eliminar as citadas causas, González Pecotche criou a ciência humana “Logosofia”, fundou em 1930 a primeira escola com o nome de “Escola de Logosofia” e em seguida de “Fundação Logosófica”, hoje presente em vários países do mundo com milhares de estudantes e instituiu o “Processo de Evolução Consciente” — singular e superior afazer humano — como meio real e seguro de tirar o homem do exílio mental e psicológico em que permaneceu até aqui e elevá-lo a níveis de superação insuspeitados no plano não-físico.
Para a realização de uma tarefa de tão vastos alcances o criador da Logosofia advertiu que o homem não poderia continuar ignorando a sua constituição mental e psicológica, e, além disso, teria que conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, mistério que a sua ciência desvendou denominando-os de “entes psicológicos” que se gestam na mente, nascem, crescem, criam vida própria e podem adquirir suficiente autonomia para desenvolver atividades psíquicas dependentes e independentes da vontade e da inteligência de cada um de nós.
Interpretar e compreender esse novo conceito, experimentar e comprovar por si mesmo a realidade prática que a ciência Logosofia atribui ao vocábulo “pensamento” — e não como está impresso e expresso nos dicionários da nossa língua — é o primeiro passo para penetrarmos em nosso mundo interno e descobrir que lá existem duas correntes de pensamentos: uma, dos pensamentos positivos (nossas virtudes) que obedecem ao comando da nossa vontade e acatam as diretrizes da nossa inteligência; outra dos pensamentos negativos (nossas deficiências e propensões psicológicas) que subestimam a nossa vontade e paralisam as funções da nossa razão. São seres psicológicos de vida própria, autônomos, invisíveis aos olhos do entendimento não preparado, donos absolutos dos espaços que ocupam em nossa psicologia, que se alternam no comando dos nossos atos, das nossas palavras, dos nossos gestos e até do nosso silêncio e que nós mansamente nos submetemos à tirania deles por inteiro e absoluto desconhecimento das suas existências como personagens vivos e habitantes do nosso mundo mental.
Algumas reflexões nos ajudarão compreender melhor a vida e atividade dos pensamentos autônomos, se nos inquirirmos: Nós nos irritamos por vontade própria? Agimos com impaciência diante de uma dificuldade qualquer porque entendemos que esse procedimento é útil à solução dos problemas? Se, ao contrário, compreendemos que é prejudicial à solução, porque então consentimos que a impaciência se instale em nosso comportamento? Aceitamos a intolerância porque interpretamos que ela é um recurso psicológico confortável para nós e simpática aos olhos dos nossos semelhantes? Ficamos de mau humor, nos aborrecemos e nos entristecemos sem um motivo real porque admitimos que são manifestações da nossa inteligência ou da nossa sensatez? E quando atribuímos a “terceiros” (pessoas ou coisas) a culpa pelos nossos desgostos e descontentamentos dá para perceber que os terceiros têm mais poderes sobre as nossas vidas do que nós mesmos?
Com essas e outras reflexões que o leitor deste trabalho queira fazer estaremos sempre diante de duas opções: continuarmos vivendo a vida como o fizemos até aqui, ou seja, participando e trabalhando para o crescimento do processo de evolução do plano físico mas inteiramente alheios à verdadeira e desconhecida realidade do plano não-físico em que os pensamentos negativos dividem o comando das nossas vidas, ou rompermos com a nossa passividade mental e psicológica neste aspecto, estabelecendo um “estado-de-sítio” interno, de onde serão expedidas ordens de prisão a todos os pensamentos-deficiências e propensões psicológicas e recolhidos a uma prisão de segurança máxima controlada pela nossa inteligência, para serem julgados pelo nosso tribunal interno sob a presidência da nossa Razão — agora enriquecida com os novos conhecimentos que a Logosofia nos oferece — e condenados a serem extirpados em definitivo da nossa psicologia, por formação de quadrilha, estelionato psicológico e lavagem cerebral.
Qualquer que seja a opção escolhida é conveniente saber que a ciência Logosofia não tem qualquer parentesco com Filosofia, Psicologia, Psicanálise e teorias extravagantes ou milagreiras. Ela é ciência e cultura a um só tempo, tem método próprio, é medular para o entendimento humano, ensina uma técnica para a formação humana-individual-transcendente mediante a realização do Processo de Evolução Consciente que desemboca no Conhecimento de Si Mesmo ▬ superior estágio mental, moral, sensível, psicológico e espiritual em que poderemos afirmar, sem jactância ou soberba, que agora governamos integralmente as nossas vidas porque somos donos de todos os pensamentos que habitam o nosso mundo mental e não meros veículos passivos ou joguetes de deficiências e propensões psicológicas como sói acontecer com uma grande maioria do comportamento humano.