A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O "CRER" e o "SABER"

O   “CRER”   e  o   “SABER”
por Hélio Cannizzaro

Deixando de lado, por alguns instantes, as diversas culturas existentes como as científicas, profissionais, técnicas, políticas, históricas, musicais, das artes e outras, todos nós somos semelhantemente possuidores de uma “cultura comum”, adquirida  no lar, na escola, na rua, no bairro, na cidade, no trabalho, no social, no lazer, na linguagem, nos costumes, etc., e sem uma análise da sua origem e constituição não nos damos conta que essa cultura comum começou a nos ser inculcada desde a nossa mais tenra insipiência mental e psicológica, período da nossa existência em que não tínhamos condições de exercer o sagrado direito de opção.

No século passado – em 11 de agosto de 1930 –, a ciência humana “Logosofia”, criada pelo pensador e educador argentino Carlos Bernardo González Pecotche, foi presenteada à humanidade como uma nova cultura do homem e do universo e aqueles que tomaram contato com as suas concepções e os seus princípios interpretando-os originais e de visível transcendência para o presente e o futuro da vida humana, não hesitaram em exercer a opção que lhes assegurou uma confortável participação num inigualável movimento cultural, direcionado para a construção de uma nova era em Prol da Superação Humana.

Quem não foi informado até aqui sobre a ciência Logosofia ou se já informado ainda não se ocupou em analisar e experimentar os seus construtivos conceitos, no primeiro caso permanece privado de escolha, e no segundo, está negando a si mesmo a oportunidade de fazer uma opção que, no estrito sentido da palavra, significa poder escolher entre duas culturas distintas aquela que o seu próprio juízo venha interpretar como específica para promover uma evolução consciente da própria vida.

Mas, qualquer opção precede o exame. Sem ele é “crer”, candidamente, que já optou. E o ato de crer é um traço saliente da fragilidade da “cultura comum” por nos induzir continuamente a admitir

                       ...”sem prévia análise, sem reflexão alguma, até as coisas mais inverossímeis”
(González Pecotche)

A Logosofia instituiu como um dos seus princípios fundamentais que o ato de “crer” deve ser substituído pela posse do “saber”, porque sabendo e não crendo é como poderemos ser conscientes da nossa vida e do nosso destino como entidade humana.

A busca do saber é, pois, a palavra de ordem que o cultor desta nova ciência aceita de bom grado, apoiado nas comprovações dos benefícios já obtidos com a experimentação dos seus ensinamentos à própria vida e também pela prerrogativa de poder socorrer-se da palavra sábia de González Pecotche, como está expressada nas prudentes advertências adiante reproduzidas:

“Ninguém poderia sustentar jamais, sob pena de passar por desequilibrado, que haja de privar o homem de conhecimentos para que ele seja feliz. Sem saber exatamente o que a vida e o seu destino lhe exigem saber, como poderá cumprir sua incumbência de ser racional e livre? Como poderá satisfazer os angustiosos anseios de seu espírito, se é privado da única possibilidade de satisfazê-los, ou seja, das fontes do saber?
“A única concessão possível ao ato de crer, sem que invalide um ápice o exposto, é a que surge espontaneamente como antecipação do saber; isto é, só haverá de admitir-se aquilo de que ainda não se tenha conhecimento, mas o tempo mínimo que requeira sua verificação pela própria razão e sensibilidade”
(Do Livro Curso de Iniciação Logosófica 3a Ed, p 44)

VELHOS HÁBITOS


“VELHOS  HÁBITOS”

por Hélio Cannizzaro

A Ciência Humana Logosofia criada pelo pensador e educador Carlos Bernardo González Pecotche – 1901-1963 – nos ensina realizar o Processo de Evolução e de aperfeiçoamento da própria vida que implicitamente se define pela conquista do tão sonhado ideal do “Conhecimento de Si Mesmo”.

Esse processo, com base científica, está apoiado em um método próprio e numa técnica especial que permite ao postulante desta nova ciência cumprir todas as etapas nutridas dos novos conceitos que a Logosofia oferece sobre o Homem, a Vida e o Universo, particularizando que ao estudo prévio dos seus originais ensinamentos deverá seguir a experimentação do que foi estudado e concluído com o estudo do que foi experimentado, surgindo daí a outorga do conhecimento que se adquire, ou, noutra via, a correção de falhas que eventualmente tenhamos cometido no exercício do método e ou da técnica.

O hábito de estudar Logosofia mexe com a reação psicológica dos nossos “Velhos Hábitos” e como salienta González Pecotche a psicologia humana é tão curiosa como original, quando afirma:
“Inclinada a permanecer em seus hábitos, seus antiquados moldes ou fórmulas, a psicologia humana tende a reagir contra toda inovação que requeira algum esforço, o que, geralmente, conceitua desnecessário ou além de suas forças ou possibilidades. Daí que a maioria prefira, sempre, por natural reação psicológica, sejam os demais os que experimentem e comprovem os resultados daquilo que lhe é oferecido para seu exclusivo bem, resolvendo, só então aceitá-lo, mas, mesmo assim, costuma preferir a companhia do velho em vez de decidir-se por uma realidade que em muitos casos chegou a ser-lhe iniludível”. (Do Livro Logosofia, Ciência e Método 3aed – p.23-24).
Não é difícil comprovar na prática as afirmações que o autor da ciência Logosofia manifesta no ensinamento que acabamos de transcrever quando falamos para algumas pessoas sobre as virtudes do método logosófico que possibilita, entre outras conquistas, identificar as deficiências psicológicas de que nós seres humanos somos portadores e do emprego da sua técnica especial em identificá-las, bloqueá-las, classificá-las e combatê-las, enfraquecendo-as até a sua total e definitiva eliminação.

As pessoas com as quais falamos das virtudes do método e da técnica logosófica – com reduzidas exceções – sempre se mostram receptivas e até no aceno do movimento positivo da cabeça demonstram o seu assentimento ao que lhes foi informado, para, em seguida, manifestarem a sua surpresa e admiração em saber da existência de uma ciência experimental que promove saudáveis mudanças no comportamento humano, preferindo, no entanto, por reação psicológica dos seus antigos hábitos sejam as “demais pessoas” as primeiras a experimentarem e comprovarem os anunciados benefícios.

Pela repetição desse comportamento fica evidente que a grande maioria desconhece que as “demais pessoas” adotam também o mesmo posicionamento nessa questão desde tempos remotos, o que nos leva indagar até quando vamos seguir prisioneiros do equivocado hábito de filosofar sobre o que os nossos semelhantes devem fazer.


































Deficiências Psicológicas - A Irritabilidade

DEFICIÊNCIAS  PSICOLÓGICAS  -  A IRRITABILIDADE

Por Hélio Cannizzaro

“Ninguém pode afirmar que domina conscientemente o campo de sua própria psicologia se não enfrentou antes com êxito as falhas caracteriológicas que o angustiam”
    (González Pecotche) 
A leitura interpretativa e a experimentação dos ensinamentos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, do pensador Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963), criador da ciência “Logosofia”, nos permite comprovar que por desconhecermos a nossa verdadeira constituição mental e psicológica e de forma não percebida pelo nosso entendimento, vamos consentindo que deficiências e propensões psicológicas – no conceito corrente chamadas de defeitos – ocupem espaços da nossa mente e à medida que elas (as deficiências e propensões) crescem e alcançam vida própria, adquirem autonomia e passam a exercer atividades prejudiciais ao nosso comportamento, independentemente da nossa vontade e da nossa inteligência.

Em princípio, é muito difícil para qualquer um de nós aceitar a surpreendente afirmação de que não somos o comandante-único da nossa vida porque em momentos diversos somos comandados por deficiências e propensões que não temos consciência de que elas fazem parte ativa da nossa psicologia e também que exerçam atividades à revelia da nossa vontade e inteligência.

Desafortunadamente, assim é, mesmo que insistamos em repudiar a idéia de sermos presas-fáceis de deficiências e propensões psicológicas que, comprovadamente dotadas de vida própria e suficiente autonomia, subvertem as diretrizes da nossa razão e conspirem contra os nossos mais nobres e elevados sentimentos.

A cultura vigente – adquirida com muito esforço, mas sempre dirigida para uso externo – nos induziram desenvolver uma acentuada tendência em sermos mais preparados para enxergar os defeitos dos nossos semelhantes e extremamente indulgentes com as nossas próprias falhas. Daí o desconhecimento da existência das deficiências e propensões psicológicas em nós mesmos, introduzidas em nossa mente pelos agentes do mal de forma não percebida pelo nossa observação, como nos revelam as inéditas descobertas do pensador e cientista González Pecotche.

O convencimento desta surpreendente e inédita realidade só é possível obter após tomarmos contato com as concepções e princípios desta nova ciência humana, de estudá-la, de experimentar os seus ensinamentos e incorporá-los à nossa vida como conhecimentos, através da realização do Processo de Evolução Consciente, prescrito em seu original método psicodinâmico que se desenvolve paralelamente ao conhecimento de si mesmo.

A “irritabilidade”, assim como outras 43 deficiências psicológicas e mais 22 propensões, num total de 66 falhas caracteriológicas do comportamento humano, descritas minuciosamente por González Pecotche no seu livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano”, ao alcançar vida própria e autonomia em nossa psicologia, não nos manda recados ou nos consulta previamente se nós estamos de acordo com ela (a irritabilidade) assuma o comando da nossa vida por alguns instantes e nos induza a praticar desatinos, desequilíbrio nos gestos e nas palavras, com atitudes intempestivas e arbitrárias, numa inesperada e injustificada agressão a um comportamento habitualmente de boa educação e de bom senso.

A irritabilidade – como qualquer outra deficiência psicológica que tenha adquirido autonomia – não obedece a nenhum rito como acabei de citar. Ela se instala instantânea e despoticamente no momento em que é incitada por qualquer episódio ou contrariedades interna ou externa da nossa psicologia e nos usa como um instrumento a serviço do seu apetite psíquico e nós, dócil e mansamente, nos submetemos aos seus caprichos porque ignoramos que ela existe como um ente-vivo-psicológico, autônomo e tirânico, e ainda porque inconscientemente a alimentamos com a nossa cega obediência e lhe damos agasalho em nossa psicologia.

Restabelecida a serenidade após o furor súbito causado pela ação da irritabilidade – agora suficientemente saciada – ela desaparece sem deixar endereço e nós temos que assumir e suportar a pesada e desconfortável herança do constrangimento e do desapontamento, e o que é pior, da redução do espaço aonde a nossa liberdade individual transitava livremente sem sinais vermelhos. Mais ainda: quando a irritabilidade sentir novo apetite – como um ser psicológico-vivo que é, necessita de alimento para continuar vivendo – ela voltará para produzir a mesma ação e nós vamos também repetir o mesmo comportamento porque continuamos ignorando a sua existência, a sua autonomia e o seu poder despótico. É um perverso círculo vicioso.

A leitura atenta e reflexiva do livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano” nos leva a pensar sobre a necessidade impostergável de encararmos o estudo metódico das nossas deficiências e propensões psicológicas, ainda que sigamos repudiando a idéia de sermos meros veículos ou joguetes infantis comandados por elas em repetidos momentos da nossa vida.

O Conhecimento de Si Mesmo

O  CONHECIMENTO   DE   SI   MESMO

por Hélio Cannizzaro

Os registros da História nos informam que há quase 2.500 anos o filósofo Sócrates foi condenado à morte porque ousou ensaiar um sistema moral com absoluta exclusão das doutrinas religiosas da época.

Referido sistema consistia no desenvolvimento de uma conduta moral alicerçada em uma consciência-responsável que ensinaria aos homens ver com clareza os resultados dos seus próprios atos, no pressuposto que isto bastava para fazê-lo trilhar o caminho reto da vida. Foi o que Sócrates, no original, chamou de “Gnóthi Se Autón”, traduzido para o nosso idioma como “Conhece-te a Ti Mesmo”.

Conquanto tenhamos que reconhecer a superior qualidade da proposição, o enunciado do filósofo grego parece ter ficado no ensaio, pois não temos notícia de que tenha sido criado um método que ensinasse aos homens como realizar uma tarefa de tamanha magnitude.

No século XX, em 1930, o pensador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche presenteou a humanidade com a criação da ciência “Logosofia” – original e nova cultura do homem e do universo –, instituindo um método próprio e uma técnica especial para ensinar a realização do Processo de Evolução Consciente, singular afazer humano que habilita o homem para alcançar o tão sonhado desiderato do “Conhecimento de Si Mesmo”.

Mas, para realizar esse processo o autor da Logosofia advertiu:
Para empreender tarefa de tão vastos alcances não se deve ignorar tudo quanto concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, os domine e os faça servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, desde que o ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo da sua vida. (Do Livro, Logosofia Ciência e Método 3aed – p.21).
Para a primeira parte do ensinamento que acabei de transcrever aceitei sem resistências sepultar as minhas inconsistentes convicções que sustentavam o suposto conhecimento de mim mesmo, pois de concreto eu nada sabia sobre a minha verdadeira constituição psicológica-mental.

Quanto a segunda parte levei um bom tempo para assimilar os ensinamentos, pois cumpria-me a tarefa de conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, vocábulo do nosso léxico que me habituei a interpretá-lo sempre do ponto de vista corrente ou literário sem outros maiores desdobramentos.

E, assim, - mesmo de forma não regular e disciplinada – fui lentamente criando o hábito de ler e estudar os ensinamentos logosóficos e tentando experimentá-los, quando me despertei para uma realidade até então por mim ignorada de que a minha vida obedecia a dois comandos distintos: um comando sustentado pela força da minha vontade e das diretrizes da minha inteligência (ações de pensamentos-positivos), e outro comando, imposto de forma tirânica pelas minhas deficiências e propensões psicológicas (ações de pensamentos-negativos) que agiam de forma oculta ao meu próprio entendimento e com inúmeros disfarces que imitavam a perfeição.

O tempo e o estudo dos ensinamentos logosóficos têm me ensinado que o “Conhecimento de Si Mesmo” não se circunscreve tão-somente à tarefa de identificar e combater as deficiências e propensões psicológicas até a sua definitiva eliminação, mas o seu continuado exercício fortalece o Processo de Evolução Consciente e nos permite edificar uma nova vida, agora livre da penosa carga que era produzida pelas ações das deficiências e propensões psicológicas e livre também para cultivarmos as nossas virtudes, antes sobrevivendo oprimidas em nossa mente e em nossa sensibilidade.

O “Conhecimento de Si Mesmo” ensinado pela ciência Logosofia desperta em nós inquietudes sadias que nos impele prosperar nas incursões do mundo transcendente, a descobrir o mecanismo das Leis Universais e a sua influência em nossas vidas, a integração com o nosso espírito e a nos aproximar de Deus pelo conhecimento da sua Grande Obra, estampada na Criação Universal, da qual todos nós somos súditos, com o honroso título de “rei das espécies”.









Liberdade: Mão-Dupla

LIBERDADE:   MÃO-DUPLA
por Hélio Cannizzaro

“A liberdade é prerrogativa natural do ser humano. Como espécie superior a todas as que povoam o mundo o homem nasce livre, embora disso não se dê conta até o momento em que sua consciência o faz experimentar a necessidade de exercê-la como único meio de realizar as funções primordiais da vida e o objetivo que cada um deve atingir como ser racional e espiritual. Mas é necessário saber que a liberdade é como o espaço, e que depende do ser humano que ela seja, também como ele, mais ampla ou mais estreita”. (Carlos Bernardo González Pecotche, 1901/1963, pensador e criador da ciência humana Logosofia)”.
Antes de conhecer a ciência de González Pecotche e durante o tempo em que fui um discreto leitor dos seus princípios e ensinamentos, vivi uma parte da minha vida como vivia um incontável número de pessoas:  trabalhando pela minha e pela subsistência da minha família e me esforçando para conquistar uma situação econômica estável, no pressuposto de que ela traria embutida nas cifras das moedas, uma liberdade, uma paz e uma tranqüilidade duradouras.

É certo que, se conquistadas essas regalias, eu não deveria mantê-las como algo equivalente à ociosidade, mas como valores morais para continuar sustentando e estimulando as minhas atividades em qualquer idade e em todas as ordens da vida, enfrentando as dificuldades com inteireza e com uma boa disposição de ânimo.

O tempo foi passando e a leitura daqueles princípios e ensinamentos foram me permitindo concluir que a conquista de uma folgada situação econômica é muito útil mas ela só contempla a nossa vida física e externa, uma vez que a liberdade, a paz e a tranqüilidade como valores éticos da nossa cultura interna não têm origens nos cifrões das moedas, senão na realização de um processo de evolução alimentado e sustentado por conhecimentos superiores, pois a nossa mente não é um cofre-forte para acumularmos moedas e sim um órgão da nossa psicologia criado para o exercício da nobre função reitora das nossas prerrogativas mentais, morais, psicológicas e espirituais.

Deixando de ser um discreto leitor e assumindo a posição de estudante e aprendiz na aplicação dos referidos princípios e ensinamentos à minha própria vida, aos poucos fui constatando existir uma específica e sutil diferença entre a nova cultura e a cultura geral vigente – originariamente de caráter extra-individual – que evolui e educa o ser humano para fora, enquanto a cultura da ciência Logosofia – originariamente de caráter intra-individual – evolui e educa o ser humano para dentro, com profundos e visíveis reflexos positivos em sua vida externa.

Um simples exemplo me dá o aval de que necessito para sustentar o que estou afirmando: um universitário não se forma em Odontologia para tratar dos próprios dentes, o mesmo se repetindo com outros profissionais como o médico, o engenheiro, o advogado, o professor, o economista, o contador, o arquiteto, o músico, o artista, o fisioterapeuta, etc. Ao aumentarmos o nosso saber com a conquista de conhecimentos  que nos capacita para exercer atividades físicas e intelectivas dirigidas para o externo, esses mesmos conhecimentos, de caráter extra-individual e de natureza utilitária, não penetram nos privativos espaços do nosso mundo interno, ficando impressos em nossa memória e incorporados à nossa cultura intelectual.

A diferença existente entre a cultura corrente e a cultura da Logosofia – que tem origem na especificidade e destinos distintos – não desmerece nem diminui os seus valores nem tampouco os seus alcances. Todo ser humano carece de conhecimentos para realizar um processo de evolução que o aperfeiçoe, integralmente, por dentro e por fora.

Nesse ponto é onde reside a nossa maior dificuldade. Aceitamos de forma mansa que para ser médico temos que estudar a ciência da Medicina; repetimos isto até como o óbvio. Lamentável é que a nossa sensibilidade e a nossa inteligência resistam estender esse mesmo óbvio para o estudo e evolução da nossa vida mental, moral, psicológica e espiritual sob as luzes das Ciências Humanas.

Paradoxalmente, nesse caso, todos nós adotamos dois pesos e duas medidas para uma só e única questão: a nossa evolução integral. Para o físico aceitamos as ciências sem resistências; para o extra-físico, que é tão ou mais complexo que o físico, uns preferem confiar no acaso; outros acreditam que a sua razão é a única luz que ilumina os seus passos neste mundo; outros, há, ainda, que se apoiam no seu empirismo – aqueles que curam doenças sem noções científicas – e uma maioria que aposta nas suas convicções pessoais de que é sempre factível comandar a própria vida interna e externa com liberdade, lucidez e acerto, mesmo ignorando a estrutura da constituição mental e psicológica humana com os seus mecanismos de funcionamentos e ainda viva alheia à existência dos agentes causais – nossos defeitos e imperfeições psicológicas  –, que sustentam um poder interno, paralelo e arbitrário, compartilhando do comando da nossa vida, sem que tenhamos a menor percepção dessa subversão de valores.

Será natural o surgimento da pergunta como é possível não percebermos essa subversão em nós mesmos?

Quando estamos calmos, mental e psicologicamente, ocupados ou não com as nossas tarefas cotidianas e inesperadamente algo contraria a nossa serenidade (a falta de energia elétrica prejudicando o nosso trabalho no computador; a desídia de um funcionário não cumprindo uma ordem de serviço; a espera prolongada num consultório médico ou dentário, numa repartição pública ou qualquer outro local; o trânsito urbano de veículos excessivamente lento e muito congestionado ou alguém que dissente da nossa forma de pensar e de atuar, etc.), é comum irromper em nossa mente uma reação psicológica negativa de intolerância, impaciência ou de irritabilidade, latente ou manifesta, sem identificarmos de pronto a verdadeira causa.

Enquanto perdurar essa reação psíquica negativa que seqüestrou temporariamente a nossa calma, não estaremos comandando sensata e equilibradamente as nossas palavras, os nossos gestos, os nossos atos, o nosso olhar, enfim, o nosso comportamento habitual, mas sim sendo usados como veículos comandados pelos nossos defeitos ou imperfeições que sequer desconfiamos de que somos portadores e que contraditoriamente damos abrigo e alimento sem nos darmos conta desse esquisito conluio.

Restabelecida a serenidade em nossa mente não é difícil constatarmos o desgaste psicológico gerado e instalado à revelia da nossa vontade e da nossa razão e o comprometimento do nosso ânimo para encararmos as demais tarefas do nosso dia-a-dia.

Citei, para exemplos, três imperfeições psicológicas que freqüente e momentaneamente costumam assumir o governo da nossa vida. González Pecotche, em seu livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano”, descreve–as  minuciosamente e ensina a técnica para identificar, combater e eliminar do comportamento humano 66 defeitos ou imperfeições psicológicas que agem de forma própria e autônoma ainda que resistamos admitir – por natural desconhecimento - de que somos portadores de algumas delas.

O presente trabalho escrito sob o título “Liberdade: Mão-Dupla” é uma tentativa de colocar de manifesto a importância que assume para todos nós a conquista de uma superior habilitação para dirigirmos a nossa vida numa via de mão-dupla e destinos distintos com a mesma perícia, moderação e discernimento.

A faixa que nos conduz ao nosso conhecido mundo físico e externo, o exercício da liberdade está condicionado ao respeito às leis criadas pela Sociedade em que vivemos, o respeito aos nossos semelhantes e ao trabalho honrado que produz riquezas.

A faixa com destino ao nosso desconhecido mundo interno, o exercício da liberdade está condicionado ao conhecimento da nossa própria psicologia, isto é, na realização de uma permanente navegação internética  investigativa dentro de nós mesmos para conhecermos uma realidade que se manteve até aqui oculta aos nossos próprios entendimentos.

É, finalmente, descobrir que, diferentemente do que supomos, não somos os donos absolutos da nossa vontade, do nosso destino e da nossa vida enquanto não identificarmos e selecionarmos, um a um, os moradores do nosso mundo interno, habitado pelos bons e úteis e pelos maus e inúteis pensamentos – entes-psicológicos-vivos com atividades dependentes e independentes da vontade individual, na concepção da ciência Logosofia –, estimulando e fortalecendo os primeiros, combatendo e extirpando os últimos e por conseqüência natural eliminando o descompasso existente entre sermos tão livres por fora e repetidas vezes tão escravos por dentro.









Os Pensamentos - Nossos Inquilinos Mentais

Os Pensamentos – Nossos Inquilinos mentais

por Hélio Cannizzaro

No século passado, em 1930, o pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963) doou à humanidade uma ciência criadora e depositária de uma nova linha de originais conhecimentos humanos com o nome de “Logosofia”.

Dentro da originalidade dos novos conhecimentos, o pensador destacou como um dos transcendentais e de vital importância para evolução do homem o que se refere aos pensamentos, quando constatou:

“Apesar de filósofos e sábios haverem exercido, tanto na antiguidade como nas idades moderna e contemporânea, a faculdade de pensar, nenhum deles atribuiu jamais vida própria aos pensamentos, nem declarou que pudessem reproduzir-se nem ter atividades dependentes e independentes da vontade do homem”. (Do Livro Logosofia Ciência Método, pg. 51, Ed.3a).

Noutro passo, González Pecotche descobriu que “Tenha-se muito em conta que, no geral, o homem não atribui nenhuma importância aos pensamentos, tanto que jamais se ocupa deles, confundindo as funções dos mesmos com as de sua faculdade de pensar”. (Do Livro Curso de Iniciação Logosófica, pg 79, 1a reimpressão da 18a Edição).

É inédito e surpreendente para o homem experimentar e comprovar por si mesmo, através dos estudos desta nova ciência, que os pensamentos são seres psicológicos dotados de vida própria e que podem reproduzir-se e ter atividades dependentes e independentes da vontade individual, constituindo-se em bons e maus inquilinos do nosso edifício mental. E mais: nós comandamos com suma facilidade os bons pensamentos porque eles são dependentes da nossa vontade e da nossa razão mas, sem que o nosso entendimento perceba, somos comandados em vários momentos pelos maus pensamentos porque não temos consciência que eles fazem parte ativa da nossa psicologia e que exerçam atividades à revelia da nossa vontade e da nossa inteligência.

O convencimento pessoal dessa inusitada realidade interna só vem depois da leitura assídua, do estudo metódico, da investigação silenciosa, da correta interpretação e experimentação – repetida tantas vezes quantas sejam necessárias – dos novos conhecimentos oferecidos pela ciência Logosofia que conduz o homem realizar o Processo de Evolução Consciente prescrito em seu método psicodinâmico.

Será natural e compreensível que o leitor deste trabalho experimente resistências em admitir que possa ser comandado por pensamentos negativos que nem sequer suspeita existirem em sua mente.

A prudência nos aconselha não aceitar nem recusar um conceito novo sem antes haver experimentado e comprovado os benefícios ou os prejuízos que ele possa nos trazer. Daí ser recomendável reservar um tempo para uma análise serena e liberada de prevenções ou de preconceitos. Ademais, a prudência nos dá a gorjeta de não incorrermos na leviandade de pretender chegar ao destino sem antes haver partido.

Esclarece sobremaneira o relato de experiências por nós já vividas e que podem abrir as portas do nosso entendimento facilitando o acesso a uma questão complexa como o é o estudo da nossa própria psicologia. Senão, vejamos:

Quantas vezes chegamos em casa após um dia de intenso trabalho aonde superamos questões complexas com brilhantismo profissional e envolvidos num simples e banal problema caseiro nos surpreendemos intolerantes ou irritados e de forma agressiva maltratamos as pessoas a quem somente queremos agradar, quais sejam: esposa, esposo, filhos, pais, irmãos, etc.?

Outras vezes precisamos e queremos nos manter calmos e serenos diante de uma situação delicada e repentinamente somos sacudidos pelo furor de uma impulsividade que nos leva praticar desatinos nos gestos e nas palavras e que depois nos deixa uma herança de desapontamento, desconfiança, constrangimento e arrependimento?

E porque? Se amamos os nossos familiares, se os queremos vê-los felizes, porque os fazemos sofrer? Que força estranha nos impele para esse desequilíbrio interno contra a nossa vontade e a nossa sensibilidade? Essa subversão no nosso mundo interno não é uma flagrante contradição? Mas, quem a promove? Quem a sustenta? E a nossa sensatez, o nosso bom-senso e a nossa pretensa autoridade mental aonde estavam quando o circo começou a pegar fogo? Fugiram espavoridos nos deixando sozinhos nessa subversão mental ou esses atributos da alma humana só existem muito mais na nossa imaginação, na nossa auto-suficiência ou na nossa jactância intelectiva e muito menos no nosso haver mental, moral e psicológico?

Uma experiência na qual praticamente ninguém atribui valor é quando nos propomos ler um livro e após absorvermos com interesse e atenção as primeiras páginas percebemos que na última só estivemos presentes na leitura com os nossos olhos físicos, pois a nossa atenção foi seqüestrada e levada para outros ambientes. Quem seqüestrou de forma sub-reptícia a nossa atenção? Não havíamos nos proposto ler o livro? E a nossa vontade é assim esmagada sem nem sabermos por quem? Afinal, somos ou não os donos da nossa vida e comandantes da nossa vontade e dos nossos atos?

As experiências citadas neste trabalho, somadas às centenas de outras que a Logosofia nos ensina identificar em nosso comportamento, oferecem à saciedade, a prova científica de que existe internamente em cada um de nós um governo paralelo, comandado pelos pensamentos negativos que não obedecem à nossa vontade nem acatam as diretrizes da nossa inteligência. São entes autônomos. Agem de forma despótica e independente, e, nós, por desconhecimento, obedecemos cega e docilmente aos seus mandados.

As pessoas com as quais falamos das virtudes do método desta nova ciência, apesar de demonstrar interesse alegam não dispor de tempo para se dedicarem a este tipo de estudos.

Eu vivi essa mesma experiência quando tomei contato pela primeira vez com a Logosofia e pelo meu despreparo na matéria não tinha como descobrir que a minha recusa partia do comando dos meus próprios pensamentos negativos que inibiam o meu raciocínio para enxergar que se não havia tempo para estudar e melhorar o meu comportamento havia tempo de sobra para piorá-lo ao alimentar pensamentos negativos como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância, a impulsividade, a vaidade, a presunção, a teimosia, a obstinação, a veemência, a verborragia, o rancor, o ressentimento, a discussão estéril, além de dar agasalhos à tristeza, ao inconformismo, ao descontentamento, à rebeldia, à raiva, e tantas outras posturas negativas que me consumiam precioso tempo e ainda comprometiam o meu ânimo.

A Logosofia nos propõe realizar um processo de superação individual consciente, mas ela não dá essa superação como por um passe de mágica. Não! Ela aponta o caminho e nos fornece o ferramental e os estímulos necessários para que o realizemos com o nosso próprio esforço, entusiasmo, vontade e pelo ideal de nos superarmos.

Os novos e originais conhecimentos substituem a erudição estéril, a especulação intelectual, as meras citações, as repetições, pelo juízo próprio. Nenhuma valor tem para o Processo de Evolução Consciente o simples memorizar os seus ensinamentos porque esta ciência não tem por finalidade formar eruditos e literatos, mas sim desenvolver internamente, verdadeiros seres humanos, conscientes e aptos para governar a própria vida, sem interferências estranhas e molestas começando por uma ação de despejo dos maus inquilinos do nosso edifício mental que tanto perturbam o nosso bem-estar e impedem o nosso caminhar rumo à senda do aperfeiçoamento.










O Processo de Evolução Consciente

O  PROCESSO  DE  EVOLUÇÃO  CONSCIENTE
por Hélio Cannizzaro
Galileu Galilei (1564/1642), Físico italiano, a quem a Ciência deve a introdução do método experimental como o mais importante dos métodos das ciências naturais, fez inúmeras descobertas e invenções em diferentes campos da Física, Mecânica e Astronomia.

A descoberta da lei da queda dos corpos, agasalhando o segredo da igualdade na velocidade da queda de objetos de pesos diferentes, colocou uma lápide na teoria filosófica de Aristóteles (<384 /<322), que durante dois mil anos manteve a humanidade prisioneira da “crença” de que uma pedra de dois quilos caía em velocidade dupla em relação à de um quilo.

Essa inédita descoberta tornou-se famosa gerando porém muita controvérsia pois a sua tese era um insulto a um princípio concebido pelo Pai da Matemática, mas, Galileu Galilei, apoiado na experimentação científica, convidou professores, autoridades, cientistas, estudantes universitários e do alto da torre de Pisa jogou vários objetos de pesos diferentes e da mesma densidade.  Os objetos caíram sempre juntos para espanto dos assistentes, ou seja, com a mesma aceleração, e a partir daí ficou plenamente comprovado que as ciências são, por natureza, experimentais.

No plano físico, as descobertas e invenções de Galileu, somadas às milhares de descobertas e invenções de outros cientistas, acolhidas e desenvolvidas pelo trabalho do homem comum no curso dos séculos, trouxe para a geração de hoje um progresso técnico-científico-material de projeções gigantescas, traduzido nos avanços em todas as direções das atividades humanas e também pelo conforto e comodidades proporcionadas pelo uso de máquinas, aparelhos, equipamentos, utensílios, meios de comunicação, veículos, etc., cada vez mais aperfeiçoados e sofisticados. É a grande obra dos homens que pensam, estudam, investigam, observam, raciocinam, experimentam, aceitam mudanças, renovam conceitos, modificam procedimentos, corrigem rotas, pesquisam, planejam e fazem ciência do próprio trabalho.

No plano extra-físico, isto é, no psicológico, no moral, no sensível, no conhecimento de si mesmo e no espiritual, a humanidade não apresenta uma evolução compatível com os anseios e as necessidades do espírito humano porque o homem de hoje —assim como o de outrora —continua prisioneiro de preconceitos, crenças, idéias, crendices, simpatias, superstições, ritos, mandingas, dogmas, fanatismos, ideologias extremistas, etc., com idade de mais de dois mil anos que influem negativamente no seu viver e na construção de um destino melhor, impedindo-o de fazer ciência experimental na sua própria vida.

 
Carlos Bernardo González Pecotche (1901/1963), pensador e cientista argentino, aponta as causas determinantes desse descompasso na evolução do homem no plano imaterial, quando em seu livro Curso de Iniciação Logosófica, 18a edição, pg. 9, indaga e responde:

“Iniciaremos a exposição deste Curso perguntando porque razão a cultura vigente  - ocidental ou oriental -  apresenta, em todas as partes, sintomas inconfundíveis que prenunciam sua inevitável decadência. A resposta é clara, simples e unívoca: porque falha pela base. E a que se deve o fato de ela falhar pela base? Às seguintes causas:
•Não foi, nem é capaz de ensinar ao homem conhecer a si mesmo;
•Não lhe ensinou a conhecer o mundo mental que o rodeia, interpenetra e influi poderosamente em sua vida;
•Não lhe ensinou a compreender, amar e respeitar o Autor da Criação, nem a descobrir sua Vontade através de suas Leis e das múltiplas manifestações de seu Espírito Universal”.

Para combater e eliminar as citadas causas, González Pecotche criou a ciência humana “Logosofia”, fundou em 1930 a primeira escola com o nome de “Escola de Logosofia” e em seguida de “Fundação Logosófica”, hoje presente em vários países do mundo com milhares de estudantes e instituiu o “Processo de Evolução Consciente”  singular e superior afazer humano — como meio real e seguro de tirar o homem do exílio mental e psicológico em que permaneceu até aqui e elevá-lo a níveis de superação insuspeitados no plano não-físico.

Para a realização de uma tarefa de tão vastos alcances o criador da Logosofia advertiu que o homem não poderia continuar ignorando a sua constituição mental e psicológica, e, além disso, teria que conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, mistério que a sua ciência desvendou denominando-os de “entes psicológicos” que se gestam na mente, nascem, crescem, criam vida própria e podem adquirir suficiente autonomia para desenvolver atividades psíquicas dependentes e independentes da vontade e da inteligência de cada um de nós.

Interpretar e compreender esse novo conceito, experimentar e comprovar por si mesmo a realidade prática que a ciência Logosofia atribui ao vocábulo “pensamento” — e não como está impresso e expresso nos dicionários da nossa língua — é o primeiro passo para penetrarmos em nosso mundo interno e descobrir que lá existem duas correntes de pensamentos: uma, dos pensamentos positivos (nossas virtudes) que obedecem ao comando da nossa vontade e acatam as diretrizes da nossa inteligência; outra dos pensamentos negativos (nossas deficiências e propensões psicológicas) que subestimam a nossa vontade e paralisam as funções da nossa razão. São seres psicológicos de vida própria, autônomos, invisíveis aos olhos do entendimento não preparado, donos absolutos dos espaços que ocupam em nossa psicologia, que se alternam no comando dos nossos atos, das nossas palavras, dos nossos gestos e até do nosso silêncio e que nós mansamente nos submetemos à tirania deles por inteiro e absoluto desconhecimento das suas existências como personagens vivos e habitantes do nosso mundo mental.

Algumas reflexões nos ajudarão compreender melhor a vida e atividade dos pensamentos autônomos, se nos inquirirmos: Nós nos irritamos por vontade própria? Agimos com impaciência diante de uma dificuldade qualquer porque entendemos que esse procedimento é útil à solução dos problemas? Se, ao contrário, compreendemos que é prejudicial à solução, porque então consentimos que a impaciência se instale em nosso comportamento? Aceitamos a intolerância porque interpretamos que ela é um recurso psicológico confortável para nós e simpática aos olhos dos nossos semelhantes? Ficamos de mau humor, nos aborrecemos e nos entristecemos sem um motivo real porque admitimos que são manifestações da nossa inteligência ou da nossa sensatez? E quando atribuímos a “terceiros” (pessoas ou coisas) a culpa pelos nossos desgostos e descontentamentos dá para perceber que os terceiros têm mais poderes sobre as nossas vidas do que nós mesmos?

Com essas e outras reflexões que o leitor deste trabalho queira fazer estaremos sempre diante de duas opções: continuarmos vivendo a vida como o fizemos até aqui, ou seja, participando e trabalhando para o crescimento do processo de evolução do plano físico mas inteiramente alheios à verdadeira e desconhecida realidade do plano não-físico em que os pensamentos negativos dividem o comando das nossas vidas, ou rompermos com a nossa passividade mental e psicológica neste aspecto, estabelecendo um “estado-de-sítio” interno, de onde serão expedidas ordens de prisão a todos os pensamentos-deficiências e propensões psicológicas e recolhidos a uma prisão de segurança máxima controlada pela nossa inteligência, para serem julgados pelo nosso tribunal interno sob a presidência da nossa Razão — agora enriquecida com os novos conhecimentos que a Logosofia nos oferece — e condenados a serem extirpados em definitivo da nossa psicologia, por formação de quadrilha, estelionato psicológico e lavagem cerebral.

Qualquer que seja a opção escolhida é conveniente saber que a ciência Logosofia não tem qualquer parentesco com Filosofia, Psicologia, Psicanálise e teorias extravagantes ou milagreiras. Ela é ciência e cultura a um só tempo, tem método próprio, é medular para o entendimento humano, ensina uma técnica para a formação humana-individual-transcendente mediante a realização do Processo de Evolução Consciente que desemboca no Conhecimento de Si Mesmo    superior estágio mental, moral, sensível, psicológico e espiritual em que poderemos afirmar, sem jactância ou soberba, que agora governamos integralmente as nossas vidas porque somos donos de todos os pensamentos que habitam o nosso mundo mental e não meros veículos passivos ou joguetes de deficiências e propensões psicológicas como sói acontecer com uma grande maioria do comportamento humano.