O TEMPO: Aproveitamento x Desperdício
por Hélio Cannizzaro
Um dos primeiros temas da ciência Logosofia que eu tomei contato foi o “Valor do Tempo”, do livro Exegese Logosófica.
Guiado pelas minhas inconsistentes convicções da época eu imaginava que a minha experiência de vida haveria de seu útil à Logosofia porque uma coisa que eu acreditava fazer muito bem era aproveitar o meu tempo.
As minhas convicções tinham raízes na minha origem de filho de pais muito trabalhadores, mas em alguns momentos severos em determinar que o trabalho, as tarefas domésticas, os compromissos, etc., tudo tinha que ser feito depressa, evitando perder tempo.
Assim cheguei à idade adulta como uma pessoa produtiva no desempenho das minhas atividades e obrigações diárias, mas sem que o meu entendimento percebesse que aquela intempestiva “pressa”, ao contrário de representar um aproveitamento do tempo, estimulava um comportamento imoderado, irreflexivo e propício para o cometimento de erros que acabavam por requerer novo tempo para as correções.
De início foi difícil acolher a Logosofia porque mesmo considerando a minha presunção de ser um bom administrador do tempo, contraditoriamente eu me declarava não dispor dele para encarar os estudos desta nova ciência.
Apesar da minha inexperiência na leitura de alguns temas logosóficos, aos poucos fui me despertando para uma natural e aritmética compreensão de que tendo sido, como todo ser humano, igualmente contemplado com 24 horas diárias, não era correto nem ético eu recusar o estudo da Logosofia me apoiando numa alegação que não era verdadeira.
Vencendo algumas resistências e melhorando a forma de ler os ensinamentos, inúmeras vezes constatei não conseguir utilizar regularmente 80 dos 10.080 minutos existentes na semana para me dedicar a um estudo metódico, ordenado e continuado dos ensinamentos logosóficos, mas noutra via – e paradoxalmente – eu desperdiçava os 80 ou mais minutos por semana alimentando deficiências psicológicas como a impaciência, a impulsividade, a intolerância, a propensão à discussão ou ainda dando guarida à tristeza, ao descontentamento, aos ressentimentos, à raiva e tantas outras posturas negativas que além de me consumir precioso tempo ainda comprometiam o meu ânimo.
A leitura, o estudo interpretativo e a experimentação freqüentes dos ensinamentos logosóficos sobre o aproveitamento do tempo têm me proporcionado, de um lado, a oportunidade de comprovar que eu desperdiçava e desperdiço tempo quando não penso e permito divagações inúteis, e de outro, o aumento da minha consciência sobre a lição logosófica de “que o aproveitamento do tempo caminha paralelamente à função de pensar”.
Resta concluído que o aproveitamento integral do tempo impõe que as minhas faculdades mentais e sensíveis desenvolvam as suas atividades de uma forma similar ao ritmo do meu coração de 82 anos que trabalha ininterruptamente 24 horas por dia sem que eu possa ser gentil em oferecer a ele um ócio de cinco minutos para um breve recreio.
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