A REDENÇÃO DE SI MESMO
por Hélio Cannizzaro
É tradição da nossa cultura a prática de inculcar na mente das crianças o temor a Deus pelas faltas cometidas e também o medo do diabo, assustando-as com a existência de um imaginário “inferno” ardendo em fogo o tempo todo.
A experiência tem demonstrado que essa conduta comum de muitos pais no exercício de suas funções de pedagogos e preceptores espirituais nada tem de pedagógico e é causa de muitos prejuízos para nós humanos, pois, já fomos crianças e quando adultos comprovamos que esse procedimento é frontalmente contrário à verdade, além de produzir nas crianças um estado mental confuso e impróprio para uma sólida formação psicológica e moral.
Eu não fui excluído dessa prática e ao atingir a idade adulta fiquei empacado entre a não aceitação do que me foi inculcado na infância para a remissão dos meus erros e o desconhecimento de outros conceitos nutridos de uma orientação lógica e convincente que satisfizesse as minhas inquietudes de saber, pois, o “perdão-gracioso”, supostamente obtido por uma emocional súplica, a meu ver, sempre se insinuou revestido de uma característica fácil e cômoda de tentar apagar os nossos erros.
Foi nesse período de empacamento psicológico que tive a feliz oportunidade de ler o livro “O Mecanismo da Vida Consciente” de autoria do pensador e escritor Carlos Bernardo González Pecotche, criador da ciência Logosofia.
A princípio, a falta de uma familiarização com a linguagem desta nova ciência, associada ao meu despreparo mental para compreender os temas de natureza transcendentes abordados em seus capítulos, resultou num escasso aproveitamento da maior parte do livro.
A minha sensibilidade, ao contrário, antecipando-se aos lentos movimentos da minha razão, captou a essência das verdades do seu conteúdo e assim aos poucos fui reconduzido à leitura do livro até tomar contato com os ensinamentos de que “o homem pode ser seu próprio redentor”.
Nada mais belo, excelso, sublime, egrégio, que o homem saber que pode redimir-se dos próprios erros por um ato livre da sua vontade e sem necessidade de nenhuma intervenção alheia, consagrando-se ao Bem, cultivando-o e experimentando-o primeiro dentro de si mesmo e depois estendendo-o aos seus semelhantes.
González Pecotche, por oportuno, adverte que, para que a própria redenção seja um fato, é essencial começar por não cometer mais erros, não acumular mais culpas ou dívidas. Mas, e os erros já cometidos e acumulados, o que fazer para resgatá-los?
A Logosofia instituiu “O Processo de Evolução Consciente” – singular e superior realização humana – que entre as muitas virtudes do seu método ensina o ser humano como adentrar-se em si mesmo; como descobrir as riquezas acumuladas em seu inexplorado mundo interno; como estudar a sua própria psicologia e como conhecer, um a um, todos os moradores da sua casa mental e integrantes das duas correntes internas – a do Bem e a do Mal – que se alternam no comando da vida de cada um de nós, sem que identifiquemos a origem dessa dualidade mental e psicológica.
Ao me referir aos nossos erros não o faço somente do ponto de vista das nossas relações com os nossos semelhantes, mas principal e fundamentalmente dos erros que cometemos inconscientes e permanentemente com o nosso ser físico e o nosso ser mental-moral-psicológico-espiritual.
Com efeito, ao desconhecermos a nossa constituição mental e psicológica conduzimos as nossas vidas inteiramente alheios à existência de um mundo interno que todos nós possuímos, povoado de muitos pensamentos positivos e negativos; os positivos, obedientes à nossa vontade e inteligência, e os negativos, dotados de vida própria e suficiente autonomia para nos induzir ao cometimento de erros de forma invisível aos nossos próprios entendimentos.
A redenção de si mesmo começa no despertar dessa realidade interna que desconhecemos e continua na realização permanente do Processo de Evolução Consciente, do momento em que cada um de nós decida fazer da própria vida o campo experimental como meio eficaz de comprovar as mudanças dos nossos comportamentos que acontecem e acontecerão em surpreendente superação de aperfeiçoamento.
Somos nós, humanos, os únicos seres viventes da Criação dotados de inteligência e consciência, excelsos privilégios que nos permite triunfar sobre a nossa natureza inferior e conquistarmos valores éticos superiores aos comuns, em números e volume suficientes para empequenecer os erros acumulados, tornando-os irrelevantes perante a nova vida que a ciência Logosofia nos ensina edificar.
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