O CONHECIMENTO DE SI MESMO
por Hélio Cannizzaro
Os registros da História nos informam que há quase 2.500 anos o filósofo Sócrates foi condenado à morte porque ousou ensaiar um sistema moral com absoluta exclusão das doutrinas religiosas da época.
Referido sistema consistia no desenvolvimento de uma conduta moral alicerçada em uma consciência-responsável que ensinaria aos homens ver com clareza os resultados dos seus próprios atos, no pressuposto que isto bastava para fazê-lo trilhar o caminho reto da vida. Foi o que Sócrates, no original, chamou de “Gnóthi Se Autón”, traduzido para o nosso idioma como “Conhece-te a Ti Mesmo”.
Conquanto tenhamos que reconhecer a superior qualidade da proposição, o enunciado do filósofo grego parece ter ficado no ensaio, pois não temos notícia de que tenha sido criado um método que ensinasse aos homens como realizar uma tarefa de tamanha magnitude.
No século XX, em 1930, o pensador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche presenteou a humanidade com a criação da ciência “Logosofia” – original e nova cultura do homem e do universo –, instituindo um método próprio e uma técnica especial para ensinar a realização do Processo de Evolução Consciente, singular afazer humano que habilita o homem para alcançar o tão sonhado desiderato do “Conhecimento de Si Mesmo”.
Mas, para realizar esse processo o autor da Logosofia advertiu:
“Para empreender tarefa de tão vastos alcances não se deve ignorar tudo quanto concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, os domine e os faça servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, desde que o ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo da sua vida. (Do Livro, Logosofia Ciência e Método 3aed – p.21).
Para a primeira parte do ensinamento que acabei de transcrever aceitei sem resistências sepultar as minhas inconsistentes convicções que sustentavam o suposto conhecimento de mim mesmo, pois de concreto eu nada sabia sobre a minha verdadeira constituição psicológica-mental.
Quanto a segunda parte levei um bom tempo para assimilar os ensinamentos, pois cumpria-me a tarefa de conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, vocábulo do nosso léxico que me habituei a interpretá-lo sempre do ponto de vista corrente ou literário sem outros maiores desdobramentos.
E, assim, - mesmo de forma não regular e disciplinada – fui lentamente criando o hábito de ler e estudar os ensinamentos logosóficos e tentando experimentá-los, quando me despertei para uma realidade até então por mim ignorada de que a minha vida obedecia a dois comandos distintos: um comando sustentado pela força da minha vontade e das diretrizes da minha inteligência (ações de pensamentos-positivos), e outro comando, imposto de forma tirânica pelas minhas deficiências e propensões psicológicas (ações de pensamentos-negativos) que agiam de forma oculta ao meu próprio entendimento e com inúmeros disfarces que imitavam a perfeição.
O tempo e o estudo dos ensinamentos logosóficos têm me ensinado que o “Conhecimento de Si Mesmo” não se circunscreve tão-somente à tarefa de identificar e combater as deficiências e propensões psicológicas até a sua definitiva eliminação, mas o seu continuado exercício fortalece o Processo de Evolução Consciente e nos permite edificar uma nova vida, agora livre da penosa carga que era produzida pelas ações das deficiências e propensões psicológicas e livre também para cultivarmos as nossas virtudes, antes sobrevivendo oprimidas em nossa mente e em nossa sensibilidade.
O “Conhecimento de Si Mesmo” ensinado pela ciência Logosofia desperta em nós inquietudes sadias que nos impele prosperar nas incursões do mundo transcendente, a descobrir o mecanismo das Leis Universais e a sua influência em nossas vidas, a integração com o nosso espírito e a nos aproximar de Deus pelo conhecimento da sua Grande Obra, estampada na Criação Universal, da qual todos nós somos súditos, com o honroso título de “rei das espécies”.
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