A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

quarta-feira, 9 de novembro de 2011


As  feras  mentais

por Hélio Cannizzaro
 

Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963), pensador e cientista argentino, criou a ciência “Logosofia” e a fez depositária de uma nova linha de conhecimentos originais e concretos, todos eles direcionados para o aprimoramento da natureza extrafísica humana nos seus aspectos – mental, moral, psicológico e espiritual.

Para facilitar a interpretação e a compreensão dos seus princípios e ensinamentos González Pecotche utiliza-se de uma didática e de uma pedagogia clara e transparente e não raro recorre a uma história, um conto, uma metáfora, um axioma ou uma analogia, como a que está contida no seu artigo adiante reproduzido:

A IMAGEM DA SELVA MENTAL

A mente humana é o mais sensível que pode existir; é a suprema sensibilidade do sensível. As imagens gravam-se nela por efeito das impressões recebidas. Por essa causa, quando o homem venceu a fera e a matou, a imagem desta gravou-se em sua mente, começando sob esta nova forma, a adquirir vida no interno e a dominar o ser. Por isso o homem é, às vezes, agressivo e desumano, pois ainda lhe faltam realizar alguns trabalhos hercúleos entre eles o de dominar a fera interna, a de sua selva mental, que é a mais selvagem de todas as feras. A Logosofia ensina a descobri-la entre as sombras desse bosque, para que, vigiando-a, seja impedida de matar as formosas aves que querem cantar no mais íntimo do ser. Mas, não se compreendeu ainda a grandeza desta verdade: e é por isso que ainda reina a fera no bosque mental. Entretanto, é necessário dominá-la, mas não com as armas da violência, senão com as da persuasão, da limpeza e da verdade. A fera não deve morrer, porque o triunfo não está em matá-la; é necessário que viva, mas em estado doméstico. Essa fera, domesticada, é a representação da força interna, que, se hoje é uma força sem controle, amanhã será uma força inteligente que fortalecerá o ânimo e encherá de grandes estímulos a vontade humana. Será então quando o homem poderá dizer: - sou dono de minhas próprias posses internas, porque soube dominar e amansar a fera dentro de mim mesmo. Os estados mentais pelos quais passam uns e outros são por demais curiosos: por momentos, muito bons; a selva está tranqüila e suaves brisas perfumadas os embriagam de alegria. Ao contrário, em outros momentos, a mente adquire um aspecto sombrio; a fera estremece, as narinas se dilatam, encrespa seu ânimo e todo mundo se previne porque algo está ocorrendo dentro do bosque mental. Deveria cada um perguntar-se porque está sempre à mercê dessa fera, mostrando-se incapaz de viver tranqüilo dentro de seu reino, inseguro de suas próprias posses. Como é possível, em tais condições, oferecer paz aos demais? Eis aí uma indagação que todos devem formular-se”.


Posso afirmar, sem receios de estar incorrendo numa propensão ao exagero, que todos nós humanos temos dificuldades em reconhecer a existência em nós mesmos de deficiências e propensões psicológicas – autênticas feras mentais, menores e maiores – enraizadas em nossa psicologia, dotadas de vida própria, autônomas, despóticas, arbitrárias, ferinas, que nascem, crescem, vivem e compartilham do comando dos nossos atos, das nossas palavras e do nosso comportamento independentemente do nosso querer e da nossa inteligência.


É muito difícil, para não dizer impossível, alguém – sem estudar e dominar a “Ciência da Vida” – compreender e aceitar que é um criador nato e um permanente alimentador das suas feras internas, carregando-as como “penduricalhos” da sua psicologia para ser atacado, mordido ou picado a qualquer momento por algumas delas.


Eu também não fui excluído do desconhecimento dessa inusitada e perversa realidade interna. Antes de abraçar os estudos e os experimentos da ciência Logosofia, eu me deixava iludir por uma falsa visão de que as deficiências e propensões psicológicas (defeitos, no conceito corrente) como a intolerância, a impaciência, a petulância, a impulsividade, o rancor, o pessimismo, a inveja, o ressentimento, o ódio, a obstinação, a teimosia, o egoísmo, etc., existiam nas pessoas dos meus vizinhos, nos meus familiares, nos meus companheiros de trabalho, enfim nos meus semelhantes, mas nunca em mim mesmo e não me abdicava daquela “musiquinha de fundo”que todos temos os nossos defeitos e que ninguém neste mundo é perfeito. Paradoxalmente, mesmo declarando por palavras ter os meus defeitos, eu não sabia da existência de um só deles em meu comportamento.


Contrariamente a uma frase conhecida e cantada numa música popular brasileira, cujo autor não me ocorre agora, que diz que “eu era feliz e não sabia”, eu, como criador e alimentador inconsciente das minhas deficiências e propensões psicológicas, de forma alheia à minha observação e ao meu entendimento, permitia que as minhas feras mentais passeassem livremente no meu quintal psicológico que bem poderia ser convertido numa paródia burlesca àquela música popular cantando que “eu era infeliz e não sabia”.


A cômoda posição de filosofar sobre si mesmo de que não é necessário estudar e praticar a Ciência da Vida porque o que se sabe já é o suficiente para sustentar uma existência sem atrativos superiores e transcendentes é o que tem impedido que nós conheçamos a nossa fauna interna, pois se eu parto do pressuposto de que não sou portador da deficiência psicológica da vaidade; da inveja, nem pensar; da presunção, muito menos; e, da falsidade, Deus me defenda; eu estou fechando o único canal que poderia me conduzir ao encontro de algum rastro ou vestígio dessas traiçoeiras e indesejáveis feras mentais.


Não duvido – ao contrário, estou bem seguro -  de que no final deste trabalho escrito eu estaria incorrendo em um exagero se estendesse os meus enfoques do mau comportamento mental e psicológico a todos os seres humanos; além do exagero eu estaria pondo de manifesto um acentuado desequilíbrio no juízo dos valores. Felizmente, e para a satisfação da nossa espécie, são incontáveis as pessoas de bem, educadas, probas, cultas, honradas, inteligentes, de elevado comportamento ético e que formam a grande reserva moral da humanidade.


Mas, as dificuldades de reconhecerem a existência das deficiências e propensões psicológicas em si mesmas são iguais às existentes em qualquer ser humano – cultos ou incultos –, a diferença só existe nos comportamentos éticos.


A Logosofia – uma especialidade científica do comportamento humano – criada pelo pensador argentino González Pecotche, nos ensina a realizar o Processo de Evolução Consciente, que implicitamente se traduz no Conhecimento de Si Mesmo, aonde vamos conhecer e aprender uma técnica para investigar, identificar, selecionar, bloquear e eliminar a existência de 44 deficiências e 22 propensões psicológicas, no total de 66 feras mentais, menores e maiores, que habitam o nosso bosque mental com o nosso inconsciente consentimento, preparadas todas elas para dar o seu bote a qualquer momento de descuido do nosso comportamento.




Mudanças Revolucionárias em Si Mesmo




MUDANÇAS  REVOLUCIONÁRIAS  EM  SI  MESMO

por Hélio Cannizzaro



Se utilizarmos um breve momento para uma análise de que foi necessário o transcurso de muitos e muitos séculos para que a raça humana se libertasse da vida primitiva em que predominavam o estado selvagem do homem, a voracidade das feras e a inclemência de fenômenos adversos e hostis à sobrevivência humana, compreenderemos melhor o extenso e laborioso processo que os nossos antepassados tiveram que se adaptar e realizar para permitir que as gerações que foram se sucedendo conquistassem o gigantesco progresso técnico-científico-material que hoje desfruta a humanidade.


O homem, inquieto por natureza, ao longo de muitos séculos, explorou terras e conquistou espaços, superou todos os desafios que pôde em ciências, descobrimentos, inventos, técnicas e profissões; criou e desenvolveu culturas, educação, literaturas, idiomas, filosofias, religiões, artes e poesias; pisou na Lua e chegou ao planeta Marte; descobriu os segredos da energia nuclear fabricando com ela armas poderosíssimas que põem em risco a sua e a existência do planeta, mas a grande e imensa maioria dos humanos não descobriu o caminho que os conduziria identificar, compreender e realizar o principal e universal objetivo da vida humana.


Reflexos inequívocos da cultura geral vigente nos levam a indagar o que é que todos nós temos assistido e comprovado desde o início do século XX até os dias de hoje do século XXI ?    O totalitarismo entre as grandes nações do mundo; as intermináveis guerras mundiais; a ameaça permanente da bomba atômica e outros artefatos; o terrorismo como engendro maligno, violento e cruel, espalhando o pânico, a dor e ceifando vidas inocentes; os ódios e rancores milenares disseminados e sustentados pelos dogmatismos religiosos; a destruição de conceitos e valores essenciais à vida humana; a desagregação familiar e social; um espantoso número de pessoas buscando agasalho no subjetivismo, na anti-razão, na anti-ciência, no surrealismo e nas drogas, desprezando tudo que é certo e bom e submergindo-se numa abulia mental e psicológica suicida, deixando um rastro visível de que a nossa cultura apresenta em muitas partes sinais inconfundíveis de uma decadência.


Teria o nosso estimado leitor (a) se dado conta de qual é o principal e universal objetivo da vida humana? Teria consciência científica de que já o identificou e o realiza em seu viver diário?


Recorramos à palavra sábia do pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche, criador da ciência humana “Logosofia” que nos convida realizar o “Processo de Evolução Consciente” para alcançarmos o conhecimento da nossa própria psicologia, descrevendo no seu livro “O Mecanismo da Vida Consciente, pg. 64, 3a edição, 1979”, o complexo psicológico do ser humano.

“Desde os dias da infância até os de sua velhice o homem debate-se em um mar de contradições sem saber a ciência certa onde está o verdadeiro e o falso. A vida é para ele uma perpétua interrogação; e se interrompe a busca de conhecimentos, submerge-se na penumbra, ligando-se à vida vegetal pela imobilidade de suas faculdades, ou melhor ainda de seu entendimento superior, quando não à vida animal pela semelhança que alcança com essa espécie quanto à indolência, à indiferença ou ao parasitismo de suas funções mentais. Uma grande porção destes seres, ainda quando não sabem com certeza para onde dirigir seus passos, sentem dentro de si uma inquietude que os impele a prosperar nas ordens conhecidas da vida. Encaminham, a princípio, seus objetivos para a conquista de folgadas situações no setor econômico e social, sendo escassíssimo o número dos que vislumbrando ou intuindo possibilidades maiores para o seu entendimento, elevam com tal critério suas aspirações em busca de outros destinos”.


Até 1930 – quando o pensador González Pecotche criou a ciência Logosofia – todo avanço cultural, mental, moral, psicológico e espiritual circunscreveu-se à órbita externa do ser humano. Por isto o homem voltou-se sempre para fora, não lhe sendo ensinado como fazer para adentrar-se em si mesmo, que é prerrogativa exclusiva das energias do seu privativo mundo interno.


À exceção de milhares de estudantes da nova ciência que frequentam as sedes das escolas de Logosofia e de outros milhares de estudiosos e interessados existentes no mundo inteiro e que há 80 anos vêm aprendendo e praticando a técnica logosófica do conhecimento de si mesmo, toda a grande massa da humanidade ainda desconhece a realidade revelada pela ciência de González Pecotche de que os conhecimentos comuns não têm poder para penetrar no nosso mundo interno – que é fonte exclusiva e permanente de todas as ideias e pensamentos superiores e transcendentes que fecundam a vida humana.


Porque os conhecimentos comuns (é comum a todos) da nossa cultura geral não se revelaram capazes de conduzir o ser humano numa viagem explorativa dentro de si mesmo? Porque ela é inferior? Porque é materialista? Porque é fria e utilitária? A resposta é simples: a cultura vigente não é específica para permitir uma realização humana de tamanha magnitude. Uma pessoa pode ser um excelente profissional em qualquer área, um artista, um poeta, escritor, escultor, inventor, etc., ser bom filho, dedicado esposo e pai, amigo, culto, educado, honesto, generoso, trabalhador, e prisioneiro de deficiências psicológicas (defeitos do comportamento) como a impaciência, a intolerância, o rancor, a impulsividade, a inibição, a verborragia, a indiscrição, a indolência, a vaidade, etc. e nenhum dos seus conhecimentos profissionais ou de sua cultura geral é capaz de ensiná-lo como fazer para identificar em si mesmo as imperfeições incrustadas na sua psicologia e muito menos como livrar-se delas.


Todo ser humano crê – com as ressalvadas e honrosas exceções – de que é o comandante-único da sua vida, mesmo mantendo-se alheio e indiferente ao conhecimento da estrutura da sua constituição mental e psicológica e não raro cometer erros que nada têm a ver com o seu querer ou com a sua inteligência. Isso nos mostra que se cometemos erros sem a participação da nossa vontade ou da nossa razão, significa que temos um comando interno paralelo, arbitrário e dissimulado, que manda mais na nossa vida do que nós mesmos que dela somos o dono.


A original e singular descoberta da realidade extrafísica dos pensamentos por González Pecotche como seres vivos, personagens ativos, autônomos, que passam de uma mente à outra numa fração de segundo, invisíveis aos olhos do entendimento não preparado, que podem desenvolver atividades positivas e negativas independentemente do nosso querer e da nossa inteligência, revelam que os pensamentos estão por detrás de todas as boas e más ações do homem, existem e atuam como agentes-causais de todas as formas de vida humana.


Eu já fui ioiô do pensamento-deficiência do rancor; marionete da impaciência; peteca da impulsividade; chocalho da intolerância; títere da irritabilidade e outros joguetes de muitos pensamentos negativos, sem me dar conta ou pelo menos suspeitar que eles existiam na minha psicologia e compartilhavam livremente do comando da minha vida.

 Pelo que vimos expondo, admitimos que o nosso leitor (a) além de já estar consciente de qual é o principal e universal objetivo da vida humana está também consciente de que para realizá-lo é indispensável desenvolver um processo de mudanças do próprio comportamento.
 A nova ciência nos ensina identificar em nós mesmos dois imensos e distintos mundos: - o interno e o externo. Até aqui o homem só cuidou do seu mundo externo, traduzido nas suas realizações mentais, intelectuais, físicas, profissionais, estéticas, materiais, etc., mantendo-se alheio ao seu mundo interno que, mesmo repetindo de forma redundante, está dentro dele mesmo, estático e inexplorado em suas riquezas, ignorando-o como fonte de pensamentos e ideias superiores e transcendentes capazes de promover “Mudanças Revolucionárias em Si Mesmo”, mas não revolucionárias com as armas da violência, senão com as da ciência, da inteligência e da persuasão.
 

A Logosofia é uma ciência-coadjuvante que nos ensina a realizar o Processo de Evolução Consciente para conquistarmos o Autoconhecimento, restituindo-nos as rédeas do comando da nossa vida até então compartilhada pelas nossas ignoradas deficiências psicológicas e supostamente inexistentes pela nossa frágil e despreparada percepção.

CULTURA    e    CIÊNCIA
                                                                                                                              por  Hélio Cannizzaro
                                                                                                                    heliocannizzaro@gmail.com


Levei um bom tempo para compreender e associar ao meu comportamento uma diretriz do método da ciência humana “Logosofia”, aqui reproduzida:


“Em geral o ser humano ignora que, além da instrução que recebe ― compreendendo até a mais esmerada educação e ilustração que é possível obter na Universidade em matéria de especialização técnica e científica —, existem uma cultura e uma ciência cujos conhecimentos, não sendo semelhantes aos que se ministram nos centros oficiais de estudo, têm de ser adquiridos fora deles, pelo esforço pessoal e dedicação intimamente estimulados e postos a serviço de um ideal cuja concepção escapa às considerações e juízos correntes”.  (Do Livro, Logosofia, Ciência e Método, 3a Edição, pg. 21, 1980). 

A minha dificuldade tinha origem no meu inveterado hábito de encarar qualquer leitura ou estudo sempre de forma extraindividual, ou seja, como ilustração intelectiva, literária, técnica, profissional, utilitária ou especulativa.

Para uma melhor análise da dificuldade da qual eu era prisioneiro, ofereço a minha própria experiência: antes de conhecer a nova cultura e a ciência experimental criadas pelo pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche (1901 / 1963), eu não me dava conta que fazia parte integrante do meu temperamento – entre outras ainda não identificadas – uma deficiência psicológica (defeito, no conceito corrente), de velhas raízes e de índole arbitrária, que me levava a me comportar repetidamente de forma irrefletida, precipitada, fora de tempo e sem medida, desestabilizando a minha serenidade mental e diminuindo a minha paz interior, classificada pela Logosofia com o nome de “impulsividade”.

Inicialmente, li os livros “O Mecanismo da Vida Consciente” e “Exegese Logosófica”, adquirindo uma razoável ilustração sobre a nova ciência, mas muito pouco ou quase nada eu experimentei ou apliquei os seus princípios e ensinamentos à minha própria vida, como recomenda o seu método psicodinâmico. Ao final de um breve tempo constatei que antes de conhecer a Logosofia eu era uma pessoa “impulsiva-não-ilustrada”; após a leitura dos referidos livros passei a ser uma pessoa “impulsiva-ilustrada”.

Obviamente, este não é um dos objetivos desta nova cultura e ciência do aperfeiçoamento do comportamento humano. A conquista de uma ilustração sobre qualquer tema ou assunto e o enriquecimento intelectual buscado na cultura geral vigente hierarquiza o ser humano sem qualquer vestígio de dúvidas, mas essas reconhecidas e valiosíssimas realizações são de índole e de usos diferentes se comparadas com o que concomitantemente podemos obter aprendendo a realizar cientificamente o “Processo de Evolução Consciente” ensinado pela Logosofia – o que implicitamente significa o Conhecimento de Si Mesmo – ao abrir as portas do nosso mundo interno e nos capacitar para descobrirmos as riquezas nele existentes e com elas promovermos uma ampla e integral reforma da nossa vida, em parte escravizada por muitos conceitos inadequados, por antigos preconceitos ou por velhos dogmas que turvam a nossa vista e nos impede enxergar as virtudes e a originalidade dos conhecimentos desta ciência experimental.

Houve um período da minha vida que eu interpreto, de um lado , com uma fugaz jocosidade, e, de outro, com um discreto pesar, e que consistia em que eu especulava com a compreensão de que nós humanos, indistintamente, éramos portadores de virtudes e defeitos, mas, na prática, científica e conscientemente, eu nunca consegui identificar uma só ou única deficiência (defeito) no meu comportamento, e não perdia a oportunidade de exaltar as minhas reais ou supostas virtudes. Vivia, assim, em relação a mim mesmo, uma vida inconsciente e alheio à minha verdadeira realidade interna, suportando docilmente um cativeiro mental e moral imposto pela tirania das minhas ignoradas deficiências e propensões psicológicas, que sub-repticiamente sustentavam um governo interno, paralelo e dissimulado, capaz de iludir ainda ao mais astuto ou paralisar a percepção inteligente do mais culto e mais sabido dos homens.

À medida que intensifico os estudos da Logosofia aperfeiçoando a técnica na aplicação dos seus princípios e ensinamentos à minha vida, vou girando a luneta da minha observação para um lado e outro e não tem sido difícil comprovar o incontável número de pessoas que estão na mesma situação em que eu me encontrava, não se constituindo o meu caso um fato isolado ou um traço defeituoso do meu caráter nem tampouco interpretado como uma realidade universal, mas nem por isto deixa de ser visível aos olhos do entendimento do bom observador que a evolução humana no plano não-físico ou imaterial – no enfoque desta nova ciência – tem sido mal conduzida e muitas vezes pior continuada, o que fortalece ainda mais o descompasso existente entre a evolução do plano físico-material com os seus gigantescos avanços e a indiferença e o abandono em que o homem tem tratado a sua vida psíquica e espiritual, sendo o único ser vivente da Criação dotado de inteligência e sensibilidade.

Não há negar que o homem tem conseguido com esforço próprio conquistar uma vasta ilustração e colocar-se entre os que se destacam nas letras, na intelectualidade, nas profissões, na política, nas finanças, nas artes e em todos aqueles ramos do saber comum, mas se mantém alheio e muito distante da original descoberta revelada pela ciência Logosofia desde 1930 sobre a natureza extrafísica dos “pensamentos”, definidos como entes-psicológicos, dotados de vida própria, autônomos, que podem ter atividades dependentes e independentes da nossa vontade e da nossa razão, que passam de uma mente à outra numa fração de segundo, e que, sem que nós percebamos, compartilham do comando da nossa vida, ora nos conduzindo para os acertos e ora nos induzindo ao cometimento de erros contra nós mesmos ou em desfavor dos nossos semelhantes.

Conclusivamente, e sem dar rédeas soltas ao exagero e ao pessimismo, é factível comprovar que os nossos acertos vão se convertendo em argamassa para cimentar as nossas virtudes que enobrecem a nossa vida, hierarquizam os nossos bons e úteis pensamentos (entes-psicológicos vivos), desenvolvem a nossa sensibilidade e ampliam o nosso entendimento para assimilar e praticar os dinâmicos e revolucionários conceitos da nova cultura criada pelo educador e humanista González Pecotche.

Os nossos erros materializam a escória dos nossos deslizes que aviltam a nossa vida, paralisam a nobre função de pensar, endurecem os nossos sentimentos e podem nos introduzir nos corredores cinzentos das decepções, do ceticismo e do inconformismo, mas poderão também ser fundidos no crisol das nossas positivas realizações mentais e morais se nos aprestarmos em sermos donos e timoneiros conscientes da nossa própria vida e não um ser estranho à nossa natureza física-psíquica-espiritual.

Esse é o primeiro encontro da nossa realidade interna com as verdades espalhadas na Criação e com a inexorabilidade das Leis Universais.

Esse encontro – o mais significativo para o despertar da nossa consciência – é visto pelas lentes óticas da Logosofia como o menos estudado da vida humana pelo homem porque, por ignorância ou por inércia mental e volitiva, se deixa seduzir com facilidade pelos maus e inúteis pensamentos (também entes-psicológicos vivos) que o arrasta para os torvelinhos caminhos dos vícios, do desalinho moral, do desfrute de deleites efêmeros de um mundo quimérico ou, na melhor das hipóteses, pela dedicação única e exclusivamente da sua existência para as conquistas e interesses só materiais, desdenhando que a vida humana tem um conteúdo transcendente e metafísico e é nele onde estão esculpidas em relevo as respostas a todas às inquietudes e indagações formuladas pelo espírito humano desde os tempos em que vêm se apagando da nossa memória.

sábado, 3 de setembro de 2011

Diretor e Fundador em 1961 da FUNDAÇÃO LOGOSÓFICA de Brasília - Hélio Cannizzaro


Os integrantes da Comissão de Documentação dos 50 anos e da Comissão de Arquivo Histórico da Filial da Fundação Logosófica de Brasília – DF dedicaram tratamento especial aos documentos que compõem a história da Logosofia na capital federal e lançaram um livro recente, OS 50 ANOS DA LOGOSOFIA EM BRASÍLIA - 2011, pelo Centro Editorial / Thesaurus.  Lê-se no referido livro:

“Aos vinte e sete dias do mês de abril de 1961, às vinte horas, reuniram-se, espontaneamente, um conjunto de cinco neodiscípulos, ingressados na Filial do Rio de Janeiro e residentes na cidade de Brasília (Hélio Cannizzaro, Eni de Aguiar Cannizzaro, Ricardo Ramon, Nellyda Gomez e Esther Martin”... O intuito do grupo era formar um núcleo de estudos logosóficos e submeter todas as suas atividades à apreciação da Direção Geral da Fundação Logosófica em Buenos Aires... Em 18 de setembro, a Reitoria da Filial de Belo Horizonte informa que a Direção-Geral, em carta de 18 de agosto de 1961, designa a primeira Diretoria para o Centro de Estudos de Brasília, Diretor: Hélio Cannizzaro  e Sub-diretor: Ricardo Ramon...  Na mesma correspondência, o Sr. Diretor-Geral efetua a primeira promoção de neodiscípulos à condição de discípulos desta Sede”.
Primeiros Discípulos da Fundação Logosófica de Brasília - DF


Em destaque o Diretor e Fundador em 1961 - Hélio Cannizzaro

Congresso dos 80 anos da Logosofia no mundo - 2010

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O "CRER" e o "SABER"

O   “CRER”   e  o   “SABER”
por Hélio Cannizzaro

Deixando de lado, por alguns instantes, as diversas culturas existentes como as científicas, profissionais, técnicas, políticas, históricas, musicais, das artes e outras, todos nós somos semelhantemente possuidores de uma “cultura comum”, adquirida  no lar, na escola, na rua, no bairro, na cidade, no trabalho, no social, no lazer, na linguagem, nos costumes, etc., e sem uma análise da sua origem e constituição não nos damos conta que essa cultura comum começou a nos ser inculcada desde a nossa mais tenra insipiência mental e psicológica, período da nossa existência em que não tínhamos condições de exercer o sagrado direito de opção.

No século passado – em 11 de agosto de 1930 –, a ciência humana “Logosofia”, criada pelo pensador e educador argentino Carlos Bernardo González Pecotche, foi presenteada à humanidade como uma nova cultura do homem e do universo e aqueles que tomaram contato com as suas concepções e os seus princípios interpretando-os originais e de visível transcendência para o presente e o futuro da vida humana, não hesitaram em exercer a opção que lhes assegurou uma confortável participação num inigualável movimento cultural, direcionado para a construção de uma nova era em Prol da Superação Humana.

Quem não foi informado até aqui sobre a ciência Logosofia ou se já informado ainda não se ocupou em analisar e experimentar os seus construtivos conceitos, no primeiro caso permanece privado de escolha, e no segundo, está negando a si mesmo a oportunidade de fazer uma opção que, no estrito sentido da palavra, significa poder escolher entre duas culturas distintas aquela que o seu próprio juízo venha interpretar como específica para promover uma evolução consciente da própria vida.

Mas, qualquer opção precede o exame. Sem ele é “crer”, candidamente, que já optou. E o ato de crer é um traço saliente da fragilidade da “cultura comum” por nos induzir continuamente a admitir

                       ...”sem prévia análise, sem reflexão alguma, até as coisas mais inverossímeis”
(González Pecotche)

A Logosofia instituiu como um dos seus princípios fundamentais que o ato de “crer” deve ser substituído pela posse do “saber”, porque sabendo e não crendo é como poderemos ser conscientes da nossa vida e do nosso destino como entidade humana.

A busca do saber é, pois, a palavra de ordem que o cultor desta nova ciência aceita de bom grado, apoiado nas comprovações dos benefícios já obtidos com a experimentação dos seus ensinamentos à própria vida e também pela prerrogativa de poder socorrer-se da palavra sábia de González Pecotche, como está expressada nas prudentes advertências adiante reproduzidas:

“Ninguém poderia sustentar jamais, sob pena de passar por desequilibrado, que haja de privar o homem de conhecimentos para que ele seja feliz. Sem saber exatamente o que a vida e o seu destino lhe exigem saber, como poderá cumprir sua incumbência de ser racional e livre? Como poderá satisfazer os angustiosos anseios de seu espírito, se é privado da única possibilidade de satisfazê-los, ou seja, das fontes do saber?
“A única concessão possível ao ato de crer, sem que invalide um ápice o exposto, é a que surge espontaneamente como antecipação do saber; isto é, só haverá de admitir-se aquilo de que ainda não se tenha conhecimento, mas o tempo mínimo que requeira sua verificação pela própria razão e sensibilidade”
(Do Livro Curso de Iniciação Logosófica 3a Ed, p 44)

VELHOS HÁBITOS


“VELHOS  HÁBITOS”

por Hélio Cannizzaro

A Ciência Humana Logosofia criada pelo pensador e educador Carlos Bernardo González Pecotche – 1901-1963 – nos ensina realizar o Processo de Evolução e de aperfeiçoamento da própria vida que implicitamente se define pela conquista do tão sonhado ideal do “Conhecimento de Si Mesmo”.

Esse processo, com base científica, está apoiado em um método próprio e numa técnica especial que permite ao postulante desta nova ciência cumprir todas as etapas nutridas dos novos conceitos que a Logosofia oferece sobre o Homem, a Vida e o Universo, particularizando que ao estudo prévio dos seus originais ensinamentos deverá seguir a experimentação do que foi estudado e concluído com o estudo do que foi experimentado, surgindo daí a outorga do conhecimento que se adquire, ou, noutra via, a correção de falhas que eventualmente tenhamos cometido no exercício do método e ou da técnica.

O hábito de estudar Logosofia mexe com a reação psicológica dos nossos “Velhos Hábitos” e como salienta González Pecotche a psicologia humana é tão curiosa como original, quando afirma:
“Inclinada a permanecer em seus hábitos, seus antiquados moldes ou fórmulas, a psicologia humana tende a reagir contra toda inovação que requeira algum esforço, o que, geralmente, conceitua desnecessário ou além de suas forças ou possibilidades. Daí que a maioria prefira, sempre, por natural reação psicológica, sejam os demais os que experimentem e comprovem os resultados daquilo que lhe é oferecido para seu exclusivo bem, resolvendo, só então aceitá-lo, mas, mesmo assim, costuma preferir a companhia do velho em vez de decidir-se por uma realidade que em muitos casos chegou a ser-lhe iniludível”. (Do Livro Logosofia, Ciência e Método 3aed – p.23-24).
Não é difícil comprovar na prática as afirmações que o autor da ciência Logosofia manifesta no ensinamento que acabamos de transcrever quando falamos para algumas pessoas sobre as virtudes do método logosófico que possibilita, entre outras conquistas, identificar as deficiências psicológicas de que nós seres humanos somos portadores e do emprego da sua técnica especial em identificá-las, bloqueá-las, classificá-las e combatê-las, enfraquecendo-as até a sua total e definitiva eliminação.

As pessoas com as quais falamos das virtudes do método e da técnica logosófica – com reduzidas exceções – sempre se mostram receptivas e até no aceno do movimento positivo da cabeça demonstram o seu assentimento ao que lhes foi informado, para, em seguida, manifestarem a sua surpresa e admiração em saber da existência de uma ciência experimental que promove saudáveis mudanças no comportamento humano, preferindo, no entanto, por reação psicológica dos seus antigos hábitos sejam as “demais pessoas” as primeiras a experimentarem e comprovarem os anunciados benefícios.

Pela repetição desse comportamento fica evidente que a grande maioria desconhece que as “demais pessoas” adotam também o mesmo posicionamento nessa questão desde tempos remotos, o que nos leva indagar até quando vamos seguir prisioneiros do equivocado hábito de filosofar sobre o que os nossos semelhantes devem fazer.


































Deficiências Psicológicas - A Irritabilidade

DEFICIÊNCIAS  PSICOLÓGICAS  -  A IRRITABILIDADE

Por Hélio Cannizzaro

“Ninguém pode afirmar que domina conscientemente o campo de sua própria psicologia se não enfrentou antes com êxito as falhas caracteriológicas que o angustiam”
    (González Pecotche) 
A leitura interpretativa e a experimentação dos ensinamentos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, do pensador Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963), criador da ciência “Logosofia”, nos permite comprovar que por desconhecermos a nossa verdadeira constituição mental e psicológica e de forma não percebida pelo nosso entendimento, vamos consentindo que deficiências e propensões psicológicas – no conceito corrente chamadas de defeitos – ocupem espaços da nossa mente e à medida que elas (as deficiências e propensões) crescem e alcançam vida própria, adquirem autonomia e passam a exercer atividades prejudiciais ao nosso comportamento, independentemente da nossa vontade e da nossa inteligência.

Em princípio, é muito difícil para qualquer um de nós aceitar a surpreendente afirmação de que não somos o comandante-único da nossa vida porque em momentos diversos somos comandados por deficiências e propensões que não temos consciência de que elas fazem parte ativa da nossa psicologia e também que exerçam atividades à revelia da nossa vontade e inteligência.

Desafortunadamente, assim é, mesmo que insistamos em repudiar a idéia de sermos presas-fáceis de deficiências e propensões psicológicas que, comprovadamente dotadas de vida própria e suficiente autonomia, subvertem as diretrizes da nossa razão e conspirem contra os nossos mais nobres e elevados sentimentos.

A cultura vigente – adquirida com muito esforço, mas sempre dirigida para uso externo – nos induziram desenvolver uma acentuada tendência em sermos mais preparados para enxergar os defeitos dos nossos semelhantes e extremamente indulgentes com as nossas próprias falhas. Daí o desconhecimento da existência das deficiências e propensões psicológicas em nós mesmos, introduzidas em nossa mente pelos agentes do mal de forma não percebida pelo nossa observação, como nos revelam as inéditas descobertas do pensador e cientista González Pecotche.

O convencimento desta surpreendente e inédita realidade só é possível obter após tomarmos contato com as concepções e princípios desta nova ciência humana, de estudá-la, de experimentar os seus ensinamentos e incorporá-los à nossa vida como conhecimentos, através da realização do Processo de Evolução Consciente, prescrito em seu original método psicodinâmico que se desenvolve paralelamente ao conhecimento de si mesmo.

A “irritabilidade”, assim como outras 43 deficiências psicológicas e mais 22 propensões, num total de 66 falhas caracteriológicas do comportamento humano, descritas minuciosamente por González Pecotche no seu livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano”, ao alcançar vida própria e autonomia em nossa psicologia, não nos manda recados ou nos consulta previamente se nós estamos de acordo com ela (a irritabilidade) assuma o comando da nossa vida por alguns instantes e nos induza a praticar desatinos, desequilíbrio nos gestos e nas palavras, com atitudes intempestivas e arbitrárias, numa inesperada e injustificada agressão a um comportamento habitualmente de boa educação e de bom senso.

A irritabilidade – como qualquer outra deficiência psicológica que tenha adquirido autonomia – não obedece a nenhum rito como acabei de citar. Ela se instala instantânea e despoticamente no momento em que é incitada por qualquer episódio ou contrariedades interna ou externa da nossa psicologia e nos usa como um instrumento a serviço do seu apetite psíquico e nós, dócil e mansamente, nos submetemos aos seus caprichos porque ignoramos que ela existe como um ente-vivo-psicológico, autônomo e tirânico, e ainda porque inconscientemente a alimentamos com a nossa cega obediência e lhe damos agasalho em nossa psicologia.

Restabelecida a serenidade após o furor súbito causado pela ação da irritabilidade – agora suficientemente saciada – ela desaparece sem deixar endereço e nós temos que assumir e suportar a pesada e desconfortável herança do constrangimento e do desapontamento, e o que é pior, da redução do espaço aonde a nossa liberdade individual transitava livremente sem sinais vermelhos. Mais ainda: quando a irritabilidade sentir novo apetite – como um ser psicológico-vivo que é, necessita de alimento para continuar vivendo – ela voltará para produzir a mesma ação e nós vamos também repetir o mesmo comportamento porque continuamos ignorando a sua existência, a sua autonomia e o seu poder despótico. É um perverso círculo vicioso.

A leitura atenta e reflexiva do livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano” nos leva a pensar sobre a necessidade impostergável de encararmos o estudo metódico das nossas deficiências e propensões psicológicas, ainda que sigamos repudiando a idéia de sermos meros veículos ou joguetes infantis comandados por elas em repetidos momentos da nossa vida.

O Conhecimento de Si Mesmo

O  CONHECIMENTO   DE   SI   MESMO

por Hélio Cannizzaro

Os registros da História nos informam que há quase 2.500 anos o filósofo Sócrates foi condenado à morte porque ousou ensaiar um sistema moral com absoluta exclusão das doutrinas religiosas da época.

Referido sistema consistia no desenvolvimento de uma conduta moral alicerçada em uma consciência-responsável que ensinaria aos homens ver com clareza os resultados dos seus próprios atos, no pressuposto que isto bastava para fazê-lo trilhar o caminho reto da vida. Foi o que Sócrates, no original, chamou de “Gnóthi Se Autón”, traduzido para o nosso idioma como “Conhece-te a Ti Mesmo”.

Conquanto tenhamos que reconhecer a superior qualidade da proposição, o enunciado do filósofo grego parece ter ficado no ensaio, pois não temos notícia de que tenha sido criado um método que ensinasse aos homens como realizar uma tarefa de tamanha magnitude.

No século XX, em 1930, o pensador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche presenteou a humanidade com a criação da ciência “Logosofia” – original e nova cultura do homem e do universo –, instituindo um método próprio e uma técnica especial para ensinar a realização do Processo de Evolução Consciente, singular afazer humano que habilita o homem para alcançar o tão sonhado desiderato do “Conhecimento de Si Mesmo”.

Mas, para realizar esse processo o autor da Logosofia advertiu:
Para empreender tarefa de tão vastos alcances não se deve ignorar tudo quanto concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, os domine e os faça servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, desde que o ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo da sua vida. (Do Livro, Logosofia Ciência e Método 3aed – p.21).
Para a primeira parte do ensinamento que acabei de transcrever aceitei sem resistências sepultar as minhas inconsistentes convicções que sustentavam o suposto conhecimento de mim mesmo, pois de concreto eu nada sabia sobre a minha verdadeira constituição psicológica-mental.

Quanto a segunda parte levei um bom tempo para assimilar os ensinamentos, pois cumpria-me a tarefa de conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, vocábulo do nosso léxico que me habituei a interpretá-lo sempre do ponto de vista corrente ou literário sem outros maiores desdobramentos.

E, assim, - mesmo de forma não regular e disciplinada – fui lentamente criando o hábito de ler e estudar os ensinamentos logosóficos e tentando experimentá-los, quando me despertei para uma realidade até então por mim ignorada de que a minha vida obedecia a dois comandos distintos: um comando sustentado pela força da minha vontade e das diretrizes da minha inteligência (ações de pensamentos-positivos), e outro comando, imposto de forma tirânica pelas minhas deficiências e propensões psicológicas (ações de pensamentos-negativos) que agiam de forma oculta ao meu próprio entendimento e com inúmeros disfarces que imitavam a perfeição.

O tempo e o estudo dos ensinamentos logosóficos têm me ensinado que o “Conhecimento de Si Mesmo” não se circunscreve tão-somente à tarefa de identificar e combater as deficiências e propensões psicológicas até a sua definitiva eliminação, mas o seu continuado exercício fortalece o Processo de Evolução Consciente e nos permite edificar uma nova vida, agora livre da penosa carga que era produzida pelas ações das deficiências e propensões psicológicas e livre também para cultivarmos as nossas virtudes, antes sobrevivendo oprimidas em nossa mente e em nossa sensibilidade.

O “Conhecimento de Si Mesmo” ensinado pela ciência Logosofia desperta em nós inquietudes sadias que nos impele prosperar nas incursões do mundo transcendente, a descobrir o mecanismo das Leis Universais e a sua influência em nossas vidas, a integração com o nosso espírito e a nos aproximar de Deus pelo conhecimento da sua Grande Obra, estampada na Criação Universal, da qual todos nós somos súditos, com o honroso título de “rei das espécies”.