A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

quarta-feira, 9 de novembro de 2011


CULTURA    e    CIÊNCIA
                                                                                                                              por  Hélio Cannizzaro
                                                                                                                    heliocannizzaro@gmail.com


Levei um bom tempo para compreender e associar ao meu comportamento uma diretriz do método da ciência humana “Logosofia”, aqui reproduzida:


“Em geral o ser humano ignora que, além da instrução que recebe ― compreendendo até a mais esmerada educação e ilustração que é possível obter na Universidade em matéria de especialização técnica e científica —, existem uma cultura e uma ciência cujos conhecimentos, não sendo semelhantes aos que se ministram nos centros oficiais de estudo, têm de ser adquiridos fora deles, pelo esforço pessoal e dedicação intimamente estimulados e postos a serviço de um ideal cuja concepção escapa às considerações e juízos correntes”.  (Do Livro, Logosofia, Ciência e Método, 3a Edição, pg. 21, 1980). 

A minha dificuldade tinha origem no meu inveterado hábito de encarar qualquer leitura ou estudo sempre de forma extraindividual, ou seja, como ilustração intelectiva, literária, técnica, profissional, utilitária ou especulativa.

Para uma melhor análise da dificuldade da qual eu era prisioneiro, ofereço a minha própria experiência: antes de conhecer a nova cultura e a ciência experimental criadas pelo pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche (1901 / 1963), eu não me dava conta que fazia parte integrante do meu temperamento – entre outras ainda não identificadas – uma deficiência psicológica (defeito, no conceito corrente), de velhas raízes e de índole arbitrária, que me levava a me comportar repetidamente de forma irrefletida, precipitada, fora de tempo e sem medida, desestabilizando a minha serenidade mental e diminuindo a minha paz interior, classificada pela Logosofia com o nome de “impulsividade”.

Inicialmente, li os livros “O Mecanismo da Vida Consciente” e “Exegese Logosófica”, adquirindo uma razoável ilustração sobre a nova ciência, mas muito pouco ou quase nada eu experimentei ou apliquei os seus princípios e ensinamentos à minha própria vida, como recomenda o seu método psicodinâmico. Ao final de um breve tempo constatei que antes de conhecer a Logosofia eu era uma pessoa “impulsiva-não-ilustrada”; após a leitura dos referidos livros passei a ser uma pessoa “impulsiva-ilustrada”.

Obviamente, este não é um dos objetivos desta nova cultura e ciência do aperfeiçoamento do comportamento humano. A conquista de uma ilustração sobre qualquer tema ou assunto e o enriquecimento intelectual buscado na cultura geral vigente hierarquiza o ser humano sem qualquer vestígio de dúvidas, mas essas reconhecidas e valiosíssimas realizações são de índole e de usos diferentes se comparadas com o que concomitantemente podemos obter aprendendo a realizar cientificamente o “Processo de Evolução Consciente” ensinado pela Logosofia – o que implicitamente significa o Conhecimento de Si Mesmo – ao abrir as portas do nosso mundo interno e nos capacitar para descobrirmos as riquezas nele existentes e com elas promovermos uma ampla e integral reforma da nossa vida, em parte escravizada por muitos conceitos inadequados, por antigos preconceitos ou por velhos dogmas que turvam a nossa vista e nos impede enxergar as virtudes e a originalidade dos conhecimentos desta ciência experimental.

Houve um período da minha vida que eu interpreto, de um lado , com uma fugaz jocosidade, e, de outro, com um discreto pesar, e que consistia em que eu especulava com a compreensão de que nós humanos, indistintamente, éramos portadores de virtudes e defeitos, mas, na prática, científica e conscientemente, eu nunca consegui identificar uma só ou única deficiência (defeito) no meu comportamento, e não perdia a oportunidade de exaltar as minhas reais ou supostas virtudes. Vivia, assim, em relação a mim mesmo, uma vida inconsciente e alheio à minha verdadeira realidade interna, suportando docilmente um cativeiro mental e moral imposto pela tirania das minhas ignoradas deficiências e propensões psicológicas, que sub-repticiamente sustentavam um governo interno, paralelo e dissimulado, capaz de iludir ainda ao mais astuto ou paralisar a percepção inteligente do mais culto e mais sabido dos homens.

À medida que intensifico os estudos da Logosofia aperfeiçoando a técnica na aplicação dos seus princípios e ensinamentos à minha vida, vou girando a luneta da minha observação para um lado e outro e não tem sido difícil comprovar o incontável número de pessoas que estão na mesma situação em que eu me encontrava, não se constituindo o meu caso um fato isolado ou um traço defeituoso do meu caráter nem tampouco interpretado como uma realidade universal, mas nem por isto deixa de ser visível aos olhos do entendimento do bom observador que a evolução humana no plano não-físico ou imaterial – no enfoque desta nova ciência – tem sido mal conduzida e muitas vezes pior continuada, o que fortalece ainda mais o descompasso existente entre a evolução do plano físico-material com os seus gigantescos avanços e a indiferença e o abandono em que o homem tem tratado a sua vida psíquica e espiritual, sendo o único ser vivente da Criação dotado de inteligência e sensibilidade.

Não há negar que o homem tem conseguido com esforço próprio conquistar uma vasta ilustração e colocar-se entre os que se destacam nas letras, na intelectualidade, nas profissões, na política, nas finanças, nas artes e em todos aqueles ramos do saber comum, mas se mantém alheio e muito distante da original descoberta revelada pela ciência Logosofia desde 1930 sobre a natureza extrafísica dos “pensamentos”, definidos como entes-psicológicos, dotados de vida própria, autônomos, que podem ter atividades dependentes e independentes da nossa vontade e da nossa razão, que passam de uma mente à outra numa fração de segundo, e que, sem que nós percebamos, compartilham do comando da nossa vida, ora nos conduzindo para os acertos e ora nos induzindo ao cometimento de erros contra nós mesmos ou em desfavor dos nossos semelhantes.

Conclusivamente, e sem dar rédeas soltas ao exagero e ao pessimismo, é factível comprovar que os nossos acertos vão se convertendo em argamassa para cimentar as nossas virtudes que enobrecem a nossa vida, hierarquizam os nossos bons e úteis pensamentos (entes-psicológicos vivos), desenvolvem a nossa sensibilidade e ampliam o nosso entendimento para assimilar e praticar os dinâmicos e revolucionários conceitos da nova cultura criada pelo educador e humanista González Pecotche.

Os nossos erros materializam a escória dos nossos deslizes que aviltam a nossa vida, paralisam a nobre função de pensar, endurecem os nossos sentimentos e podem nos introduzir nos corredores cinzentos das decepções, do ceticismo e do inconformismo, mas poderão também ser fundidos no crisol das nossas positivas realizações mentais e morais se nos aprestarmos em sermos donos e timoneiros conscientes da nossa própria vida e não um ser estranho à nossa natureza física-psíquica-espiritual.

Esse é o primeiro encontro da nossa realidade interna com as verdades espalhadas na Criação e com a inexorabilidade das Leis Universais.

Esse encontro – o mais significativo para o despertar da nossa consciência – é visto pelas lentes óticas da Logosofia como o menos estudado da vida humana pelo homem porque, por ignorância ou por inércia mental e volitiva, se deixa seduzir com facilidade pelos maus e inúteis pensamentos (também entes-psicológicos vivos) que o arrasta para os torvelinhos caminhos dos vícios, do desalinho moral, do desfrute de deleites efêmeros de um mundo quimérico ou, na melhor das hipóteses, pela dedicação única e exclusivamente da sua existência para as conquistas e interesses só materiais, desdenhando que a vida humana tem um conteúdo transcendente e metafísico e é nele onde estão esculpidas em relevo as respostas a todas às inquietudes e indagações formuladas pelo espírito humano desde os tempos em que vêm se apagando da nossa memória.

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