A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

domingo, 8 de janeiro de 2012


Ensinamentos da Ciência “Logosofia”
(Teoria e Prática)
por Hélio Cannizzaro
A grandeza e a originalidade dos ensinamentos logosóficos têm provocado em muitos leitores o desejo de conhecer as fontes de onde Carlos Bernardo González Pecotche (1901-1963) – pensador argentino e criador da ciência humana Logosofia – teria extraído a sua grande Sabedoria sobre o Homem e o Universo.
Há muitos anos atrás li uma entrevista de González Pecotche, concedida a uma revista de grande circulação, em que o repórter, inteirado da sua grande obra Cultural e Educacional, indagou de onde ele havia tirado tanto conhecimento e saber, ao que Pecotche, sorridente e amavelmente, respondeu: de você (no original: de usted).
Em princípio me pareceu uma resposta produzida por um clima de bom humor, mas ao continuar a leitura da entrevista fui identificando e compreendendo que os concretos conhecimentos criados e depositados por González Pecotche na sua humana ciência foram extraídos dos segredos do comportamento do próprio homem e das verdades espalhadas por todo o Universo.
Naquela oportunidade, a minha sensibilidade – que se antepôs à minha razão – captou  que a ciência Logosofia não era uma teoria a mais que se acrescentava ao enorme acervo já existente senão de uma realidade palpável, pois os seus conhecimentos se nutriam com a matéria-prima extraída do próprio ser humano e das verdades da Criação e retornavam ao mesmo ser humano convertidos em ensinamentos por González Pecotche para o homem realizar um processo de evolução e aperfeiçoamento da sua vida mental, moral, psicológica e espiritual.
González Pecotche, com o seu método científico psicodinâmico nos oferece a orientação para o entendimento de que cada ensinamento logosófico guarda em si um conjunto de elementos que correspondem a uma finalidade específica: aproximar o conhecimento ao homem e para a conquista deste ideal não formula teorias imaginárias, argumentos falaciosos e muito menos hipóteses sonhadoras. Vai de um modo direto à vida interna do homem para assisti-lo em seus múltiplos problemas. É medular para a razão humana.
Existem duas posições ou atitudes bem definidas que se pode adotar frente a esta nova ciência, ou seja, duas formas de encarar os estudos dos seus ensinamentos: a teórica (especulativa) e a vital (intensiva).

A primeira – a teórica – cria o estudante por fora, é o seu ser externo. Desenvolve-se física, estética e intelectivamente sujeito à poderosa influência do mundo material. Pode se tornar uma pessoa com respeitável ilustração das coisas externas e das histórias do mundo e revelar-se uma celebridade com muito brilho intelectual e inteligência mas de poucos ou reduzidos conhecimentos práticos da Ciência de Si Mesmo.
A segunda – a vital – cria o estudante por dentro; é o seu ser interno, o seu próprio espírito, só visível aos olhos do entendimento superior. Aqui o combustível não é a ilustração da cultura geral vigente mas da nova cultura de natureza transcendente que a Logosofia oferece e que requer uma leitura reflexiva, uma meditada interpretação, uma gradual assimilação e compreensão, a experimentação do que foi compreendido e da incorporação dos conhecimentos logosóficos à própria vida fazendo deles o seu norte e guia para uma condução lúcida e segura da sua vida e de seu destino como entidade humana.
Vejamos, a seguir, um exemplo prático (vital) da aplicação do ensinamento logosófico à nossa própria vida, sem nos descuidarmos que essa segunda forma de estudos é para produzir mudanças em nosso comportamento (não é só ilustração ou brilho intelectual).
 Escolhemos para exercício o axioma  logosófico – “Quem quiser chegar a ser o que não é deverá começar por não ser o que é”.
Obedecendo a disciplina do método logosófico, primeiramente devo ler, interpretar e compreender reflexivamente o ensinamento. Para “começar por não ser o que eu sou” tenho que identificar como eu sou mental e psicologicamente na minha forma habitual; por exemplo: a crítica ou a discordância de uma pessoa a um trabalho que publiquei no meu Blog altera a minha serenidade mental ou molesta o meu bem-estar psicológico? Ao mesmo tempo, provoca no meu interno uma intolerância também psicológica?
Uma excessiva espera num consultório, numa repartição pública, num aeroporto ou em um trânsito urbano congestionado são capazes de subtrair o meu ânimo mental e psicológico positivos e me impor, independentemente do meu querer, uma desconfortável tortura produzida pela ansiedade ou impaciência?
 Uma pessoa que assume um compromisso comigo e não cumpre tem poderes para me irritar?
O que é que eu não sou e quero chegar a ser?
Eu não sou uma pessoa de cultura geral ampla, mas quero chegar a ser um ser humano cada vez melhor, aperfeiçoando o meu comportamento de forma a me permitir experimentar todos os dias um sabor agradável de viver, de aprender, de realizar, de dignificar esta vida que Deus me deu e ainda poder estender esses benefícios aos meus semelhantes.
Mas, como desfrutar desse sabor agradável de viver se eu estiver prisioneiro das amarguras produzidas pelas imperfeições mentais e psicológicas da intolerância, da impaciência e da irritabilidade que citei momentos atrás e de outras imperfeições que eu ainda não identifiquei em meu comportamento?
Antes de estudar os ensinamentos da ciência Logosofia e aplicá-los à minha vida eu atribuía a culpa das minhas contrariedades mentais e psicológicas aos que divergiam das minhas idéias, às prolongadas esperas circunstanciais, àqueles que não cumpriam os compromissos assumidos comigo e tantos outros fatos e ocorrências banais de um viver comum e intranscendente.
 Desconhecendo, como eu desconhecia, a natureza extrafísica dos pensamentos, desconhecia também que o mal que eles me faziam estava dentro do meu mundo interno e não fora dele. Esse desconhecimento me levava a confundir Causa com Fatores; as divergências de idéias, as esperas prolongadas e o descumprimento da palavra por terceiros eram fatores que provocavam as causas que eu sustentava internamente e se manifestavam sub-repticiamente através das minhas ignoradas deficiências psicológicas da intolerância, da impaciência e da irritabilidade.
 O significado etimológico do vocábulo “pensamento”, impresso e expresso nos dicionários da nossa língua me impunham e impõem a qualquer pessoa uma maçaroca de sinônimos conflitantes que me faziam perder o rumo de qualquer investigação científica. Com a ciência Logosofia aprendi e continuo aperfeiçoando esse aprendizado que o “pensamento” é um ser-vivo, um ente extrafísico, um personagem da minha vida mental que se gesta, nasce, cresce, alcança vida própria e excepcional “autonomia”, que passa de uma mente à outra numa fração de segundo e que pode ter atividades dependentes e independentes da minha vontade e da minha inteligência.
 A experiência no campo logosófico tem comprovado que os pensamentos, à semelhança do que ocorre com as pessoas, têm atuações próprias e que há pensamentos que são pouco menos que donos da nossa vida e nós – por absoluto desconhecimento das suas existências – nos submetemos a eles de forma dócil e mansamente, pois costumam ser mais fortes do que a nossa vontade.
Ficamos, assim, com a conclusão de que estaremos sempre diante de duas opções: continuarmos vivendo a vida como fizemos até aqui, isto é, participando e trabalhando para a sustentação de um processo comum a toda uma humanidade perdida nos labirintos dos seus próprios erros ou nos tornarmos mais um que se vincula a uma enorme corrente de estudiosos que trabalha cientificamente para mudar os conceitos das coisas, mudar as sensações para se manifestarem em correspondência com os novos conceitos que tenhamos conseguido alcançar com o nosso entendimento, mudar o nosso pensar e o nosso sentir e também mudar a nossa conduta, participando de um mundo novo e superior que, em tempo prudente e razoável haverá de mudar os rumos e os destinos da espécie humana.

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