Ensinamentos da Ciência
“Logosofia”
(Teoria e Prática)
por
Hélio Cannizzaro
A grandeza e a originalidade dos ensinamentos
logosóficos têm provocado em muitos leitores o desejo de conhecer as fontes de
onde Carlos
Bernardo González Pecotche (1901-1963) – pensador argentino e criador
da ciência humana Logosofia – teria extraído a sua grande Sabedoria sobre o
Homem e o Universo.
Há muitos anos atrás li uma entrevista de González
Pecotche, concedida a uma revista de grande circulação, em que o repórter,
inteirado da sua grande obra Cultural e Educacional, indagou de onde ele havia
tirado tanto conhecimento e saber, ao que Pecotche, sorridente e amavelmente,
respondeu: de você (no original: de usted).
Em princípio me pareceu uma resposta produzida por
um clima de bom humor, mas ao continuar a leitura da entrevista fui
identificando e compreendendo que os concretos conhecimentos criados e
depositados por González Pecotche na sua humana ciência foram extraídos dos
segredos do comportamento do próprio homem e das verdades espalhadas por todo o
Universo.
Naquela oportunidade, a minha sensibilidade – que se
antepôs à minha razão – captou que a
ciência Logosofia não era uma teoria a mais que se acrescentava ao enorme
acervo já existente senão de uma realidade palpável, pois os seus conhecimentos
se nutriam com a matéria-prima extraída do próprio ser humano e das verdades da
Criação e retornavam ao mesmo ser humano convertidos em ensinamentos por
González Pecotche para o homem realizar um processo de evolução e
aperfeiçoamento da sua vida mental, moral, psicológica e espiritual.
González Pecotche, com o seu método científico
psicodinâmico nos oferece a orientação para o entendimento de que cada
ensinamento logosófico guarda em si um conjunto de elementos que correspondem a
uma finalidade específica: aproximar o conhecimento ao homem e para a conquista
deste ideal não formula teorias imaginárias, argumentos falaciosos e muito
menos hipóteses sonhadoras. Vai de um modo direto à vida interna do homem para
assisti-lo em seus múltiplos problemas. É medular para a razão humana.
Existem duas posições ou atitudes bem definidas que
se pode adotar frente a esta nova ciência, ou seja, duas formas de encarar os
estudos dos seus ensinamentos: a teórica (especulativa) e a vital (intensiva).
A primeira – a teórica – cria o estudante por fora,
é o seu ser externo. Desenvolve-se física, estética e intelectivamente sujeito
à poderosa influência do mundo material. Pode se tornar uma pessoa com
respeitável ilustração das coisas externas e das histórias do mundo e
revelar-se uma celebridade com muito brilho intelectual e inteligência mas de
poucos ou reduzidos conhecimentos práticos da Ciência de Si Mesmo.
A segunda – a vital – cria o estudante por dentro; é
o seu ser interno, o seu próprio espírito, só visível aos olhos do entendimento
superior. Aqui o combustível não é a ilustração da cultura geral vigente mas da
nova cultura de natureza transcendente que a Logosofia oferece e que requer uma
leitura reflexiva, uma meditada interpretação, uma gradual assimilação e
compreensão, a experimentação do que foi compreendido e da incorporação dos
conhecimentos logosóficos à própria vida fazendo deles o seu norte e guia para
uma condução lúcida e segura da sua vida e de seu destino como entidade humana.
Vejamos, a seguir, um exemplo prático (vital) da
aplicação do ensinamento logosófico à nossa própria vida, sem nos descuidarmos
que essa segunda forma de estudos é para produzir mudanças em nosso
comportamento (não é só ilustração ou brilho intelectual).
Obedecendo a disciplina do método logosófico,
primeiramente devo ler, interpretar e compreender reflexivamente o ensinamento.
Para “começar por não ser o que eu sou” tenho que identificar como eu sou
mental e psicologicamente na minha forma habitual; por exemplo: a crítica ou a
discordância de uma pessoa a um trabalho que publiquei no meu Blog altera a
minha serenidade mental ou molesta o meu bem-estar psicológico? Ao mesmo tempo,
provoca no meu interno uma intolerância também psicológica?
Uma excessiva espera num consultório, numa
repartição pública, num aeroporto ou em um trânsito urbano congestionado são
capazes de subtrair o meu ânimo mental e psicológico positivos e me impor,
independentemente do meu querer, uma desconfortável tortura produzida pela
ansiedade ou impaciência?
O que é que eu não sou e quero chegar a ser?
Eu não sou uma pessoa de cultura geral ampla, mas
quero chegar a ser um ser humano cada vez melhor, aperfeiçoando o meu
comportamento de forma a me permitir experimentar todos os dias um sabor
agradável de viver, de aprender, de realizar, de dignificar esta vida que Deus
me deu e ainda poder estender esses benefícios aos meus semelhantes.
Mas, como desfrutar desse sabor agradável de viver
se eu estiver prisioneiro das amarguras produzidas pelas imperfeições mentais e
psicológicas da intolerância, da impaciência e da irritabilidade que citei
momentos atrás e de outras imperfeições que eu ainda não identifiquei em meu
comportamento?
Antes de estudar os ensinamentos da ciência
Logosofia e aplicá-los à minha vida eu atribuía a culpa das minhas
contrariedades mentais e psicológicas aos que divergiam das minhas idéias, às
prolongadas esperas circunstanciais, àqueles que não cumpriam os compromissos
assumidos comigo e tantos outros fatos e ocorrências banais de um viver comum e
intranscendente.
Ficamos, assim, com a conclusão de que estaremos
sempre diante de duas opções: continuarmos vivendo a vida como fizemos até
aqui, isto é, participando e trabalhando para a sustentação de um processo comum
a toda uma humanidade perdida nos labirintos dos seus próprios erros ou nos
tornarmos mais um que se vincula a uma enorme corrente de estudiosos que
trabalha cientificamente para mudar os conceitos das coisas, mudar as sensações
para se manifestarem em correspondência com os novos conceitos que tenhamos
conseguido alcançar com o nosso entendimento, mudar o nosso pensar e o nosso
sentir e também mudar a nossa conduta, participando de um mundo novo e superior
que, em tempo prudente e razoável haverá de mudar os rumos e os destinos da
espécie humana.
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