A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

domingo, 8 de janeiro de 2012


Consciência  de  Vida
por Hélio Cannizzaro

 - Controle Consciente das Experiências Pessoais -
“Em geral, o homem não é consciente, na maior parte do dia, do que pensa e faz ou deixa de fazer, ou seja, não está atento ao que vai acontecendo dentro de si mesmo. Distrai-se com grande facilidade ou busca, desnecessariamente, motivos de distração. Por outro lado, descuida-se de muitas coisas que deveriam merecer sua atenção, essa atenção, consciente, que inclui o estudo de cada situação, a análise detalhada das circunstâncias que a criaram, a responsabilidade que lhe incumbe em cada caso, etc. Há quem age apressadamente, como se fugisse de si mesmo, e quem o faz com despreocupada lentidão. Teme-se o esforço que demanda o ato de pensar e frequentemente confia-se ao acaso a solução dos problemas. Afora os momentos de ócio ou de descanso, breves ou prolongados, a maioria procura amenizar ao máximo seu tempo em entretenimentos e diversões. Que consciência pode manifestar um ser humano que vive na forma descrita?” (Do pensador Carlos Bernardo González Pecotche e destaque do livro Curso de Iniciação Logosófica, 22a edição, 1995, fls. 26/7).
 González Pecotche, autor do texto que acabamos de reproduzir, após focalizar aspectos salientes do comportamento humano na sua generalidade, indaga que consciência pode manifestar uma pessoa que vive alheia na maior parte do dia do que vai acontecendo dentro de si mesma, acrescentando, ainda, que esta pergunta leva a definir o caráter ambíguo do seu comportamento que reflete não somente ausência de domínio de si mesmo, como também da falta de sentido a respeito da direção que deve imprimir à própria vida.

Para aqueles que não estão familiarizados com as concepções da ciência “Logosofia” não serão estranhas que as afirmações do cientista argentino González Pecotche possam produzir um misto de dúvidas e a sua imediata e espontânea exclusão do rol das pessoas que na maior parte do dia não estão atentas ao que vai acontecendo dentro de si mesmas.

Isto ocorre porque se tomarmos como base de observações a ilustração e a educação que recebemos desde tenra idade, teremos que admitir serem elas bastante deficientes. A raiz do problema está em nós mesmos que não fomos preparados para desempenhar a sublime função de pedagogos e de preceptores espirituais para educarmos melhor os nossos filhos. As gerações que nos antecederam foram também alvos de semelhante tratamento e não puderam, a seu tempo, nos transmitir uma herança de melhores ensinamentos. O nosso desamparo mental e sensível começa em nossa infância, prossegue na juventude e se estende até o final dos nossos dias se permanecermos alheios a esta realidade e não nos despusermos modificá-la.  

Não é difícil constatar na prática qual é o estado mental, moral e intelectual que apresenta o universitário depois de haver realizado todo um processo de ilustração teórica da sua inteligência. Ao se libertar das disciplinas universitárias comprova que não pode utilizar no ramo do conhecimento científico que escolheu como profissão uma boa parte do que foi compreendido e assimilado por meio dos estudos teóricos que cumpriu ao longo de muitos anos, porque referidos conhecimentos são incipientes e não são práticos.

Em outras palavras, isto significa dizer que o titular de um diploma universitário precisa de um mínimo de quinze a dezessete anos para cumprir as diversas etapas formativas da sua ilustração teórica e ainda de um período de adaptação no exercício da sua profissão cujo tempo – maior ou menor – não se pode fixar porque depende da suficiência do próprio profissional que terá que ampliar esse saber incipiente até provar a sua têmpera, a sua capacidade e a sua idoneidade.

Deixando de lado o profissional universitário e girando a nossa luneta para outros enfoques encontramos o profissional comum, o trabalhador, o poeta, o artista, o músico, o escritor, o comerciante, o industrial e tantos outros e vemos por detrás de todos eles o “homem”, essa figura cuja concepção é perfeita – como não poderia deixar de ser uma obra de Deus – que o fez superior a todos os seres viventes da Criação ao conceder-lhe a prerrogativa de ter duas naturezas: a física (terrena) e a extrafísica (mental, moral, psicológica e espiritual).

Na física (terrena) o homem realizou ao longo dos séculos um extenso processo de evolução construindo um gigantesco progresso técnico-científico-material buscado nos descobrimentos das ciências, dos inventos, etc. e traduzido nos avanços em todas as direções das atividades humanas. Na extrafísica (mental, moral, psicológica e espiritual) o homem está em visível descompasso com os progressos da sua natureza física.

E, porquê, esse descompasso nas trajetórias das duas naturezas se o Criador concedeu ao homem a mesma prerrogativa?

Muito já se escreveu e se falou sobre o comportamento que o homem deveria observar sobre si mesmo e também como integrante da sociedade humana. O que não foi escrito e falado até aqui foi sobre uma forma, um método ou uma técnica que o homem sempre intuiu existir e poder praticar, não só no sentido de conquistar o conhecimento da sua própria psicologia como também no de poder se orientar pela interpretação do seu próprio pensar e sentir, ao em vez de servir de veículo de ideias e pensamentos que terminam por fazê-lo prisioneiro de opiniões alheias sem qualquer transcendência e que constantemente ameaçam a sua integridade física, moral e espiritual, tornando-o inseguro, temeroso e vacilante diante de muitas situações adversas que surgem no curso da vida.

Ao ignorar a estrutura da sua constituição mental e psicológica, o homem crê, passivamente, que é possível comandar a sua própria vida com lucidez e acerto, passando por cima dos diversos sistemas, mecanismos e das leis regentes do funcionamento do seu mundo interno extrafísico, continuando inteiramente alheio a existência dos agentes-causais que estão por detrás de todas as boas e más ações do homem – o que permitiu o seu compartilhamento no comando dos atos humanos – e ainda acreditando que a cultura geral vigente – mesmo não sendo específica para esse fim – possa lhe oferecer os recursos didáticos e pedagógicos de que necessita para conquistar o conhecimento de si mesmo, o conhecimento dos seus semelhantes, de Deus e de suas Leis Eternas.

Esta subversão de valores tem origem na inexistência de “consciência de vida”, pois como nos esclarece e nos ensina o educador González Pecotche, todos nós, humanos, sem exceções, no mesmo instante em que saímos do ventre materno entramos neste mundo terreno às cegas, sem sabermos a ciência certa, onde está o verdadeiro e o falso e a partir daí nos ocupamos exclusivamente do nosso ser físico, da nossa figura estética, da nossa educação e cultura refinadamente condicionadas ao mundo externo-material, buscando a exaltação do nosso conceito pessoal diante dos nossos semelhantes, sem nos darmos conta do crescimento paralelo das nossas deficiências e propensões psicológicas, dotadas de vida própria e autônomas que, por ignoradas e não combatidas e eliminadas, nos condena à perda gradual da nossa individualidade, quando não somos absorvidos pela massa anônima dos que nada fazem para superarem-se como seres humanos, mesmo dotados de inteligência e sensibilidade.

O conceito logosófico de “consciência” difere notavelmente do conceito adotado pela generalidade humana. Para esta ciência, consciência, é algo mais do que uma simples expressão filosófica ou literária, quando lemos González Pecotche afirmar: “É uma realidade da qual está alheia a imensa maioria dos seres humanos; alheia porque a ninguém ocorre que, para ser verdadeiramente consciente em todos os instantes da vida – isto é, quando se pensa, quando não se pensa, quando se trabalha ou não se faz nada, quando se estuda ou não – e em todos os movimentos que executamos durante o dia, quando andamos, sentamo-nos, comemos, bebemos, lemos, rimos ou estamos de mal humor é necessário que a nossa consciência esteja atenta e nos recorde que, para nos constituirmos em autênticos donos da nossa vida, devemos fazer dela uma sucessão de fatos felizes, que aumentem o valor de seu conteúdo”.

A Logosofia é uma doutrina de ordem transcendente e uma especialidade científica e metodológica que nos ensina realizar o Processo de Evolução Consciente através do seu método psicodinâmico para a formação e enriquecimento da nossa consciência de vida e com ela experimentarmos uma felicidade que antes, por termos vividos alheios a esta concepção, não nos era possível desfrutar.

Um comentário:

  1. Voinho, que bom ver você cada vez produzindo mais e buscando conhecimento.

    Um beijo carinhoso,

    Clarinha

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