Consciência de
Vida
por
Hélio Cannizzaro
- Controle Consciente das Experiências
Pessoais -
“Em geral, o homem não é
consciente, na maior parte do dia, do que pensa e faz ou deixa de fazer, ou
seja, não está atento ao que vai acontecendo dentro de si mesmo. Distrai-se com
grande facilidade ou busca, desnecessariamente, motivos de distração. Por outro
lado, descuida-se de muitas coisas que deveriam merecer sua atenção, essa
atenção, consciente, que inclui o estudo de cada situação, a análise detalhada
das circunstâncias que a criaram, a responsabilidade que lhe incumbe em cada
caso, etc. Há quem age apressadamente, como se fugisse de si mesmo, e quem o
faz com despreocupada lentidão. Teme-se o esforço que demanda o ato de pensar e
frequentemente confia-se ao acaso a solução dos problemas. Afora os momentos de
ócio ou de descanso, breves ou prolongados, a maioria procura amenizar ao
máximo seu tempo em entretenimentos e diversões. Que consciência pode
manifestar um ser humano que vive na forma descrita?” (Do pensador Carlos Bernardo González Pecotche e
destaque do livro Curso de Iniciação Logosófica, 22a edição, 1995,
fls. 26/7).
Para aqueles que não
estão familiarizados com as concepções da ciência “Logosofia” não serão
estranhas que as afirmações do cientista argentino González Pecotche possam
produzir um misto de dúvidas e a sua imediata e espontânea exclusão do rol das
pessoas que na maior parte do dia não estão atentas ao que vai acontecendo
dentro de si mesmas.
Isto ocorre porque se
tomarmos como base de observações a ilustração e a educação que recebemos desde
tenra idade, teremos que admitir serem elas bastante deficientes. A raiz do
problema está em nós mesmos que não fomos preparados para desempenhar a sublime
função de pedagogos e de preceptores espirituais para educarmos melhor os
nossos filhos. As gerações que nos antecederam foram também alvos de semelhante
tratamento e não puderam, a seu tempo, nos transmitir uma herança de melhores
ensinamentos. O nosso desamparo mental e sensível começa em nossa infância, prossegue
na juventude e se estende até o final dos nossos dias se permanecermos alheios
a esta realidade e não nos despusermos modificá-la.
Não é difícil constatar
na prática qual é o estado mental, moral e intelectual que apresenta o universitário
depois de haver realizado todo um processo de ilustração teórica da sua
inteligência. Ao se libertar das disciplinas universitárias comprova que não
pode utilizar no ramo do conhecimento científico que escolheu como profissão
uma boa parte do que foi compreendido e assimilado por meio dos estudos
teóricos que cumpriu ao longo de muitos anos, porque referidos conhecimentos
são incipientes e não são práticos.
Em outras palavras,
isto significa dizer que o titular de um diploma universitário precisa de um
mínimo de quinze a dezessete anos para cumprir as diversas etapas formativas da
sua ilustração teórica e ainda de um período de adaptação no exercício da sua
profissão cujo tempo – maior ou menor – não se pode fixar porque depende da
suficiência do próprio profissional que terá que ampliar esse saber incipiente
até provar a sua têmpera, a sua capacidade e a sua idoneidade.
Deixando de lado o
profissional universitário e girando a nossa luneta para outros enfoques
encontramos o profissional comum, o trabalhador, o poeta, o artista, o músico,
o escritor, o comerciante, o industrial e tantos outros e vemos por detrás de
todos eles o “homem”, essa figura cuja concepção é perfeita – como não poderia
deixar de ser uma obra de Deus – que o fez superior a todos os seres viventes
da Criação ao conceder-lhe a prerrogativa de ter duas naturezas: a física
(terrena) e a extrafísica (mental, moral, psicológica e espiritual).
Na física (terrena) o
homem realizou ao longo dos séculos um extenso processo de evolução construindo
um gigantesco progresso técnico-científico-material buscado nos descobrimentos
das ciências, dos inventos, etc. e traduzido nos avanços em todas as direções
das atividades humanas. Na extrafísica (mental, moral, psicológica e
espiritual) o homem está em visível descompasso com os progressos da sua
natureza física.
E, porquê, esse
descompasso nas trajetórias das duas naturezas se o Criador concedeu ao homem a
mesma prerrogativa?
Muito já se escreveu e
se falou sobre o comportamento que o homem deveria observar sobre si mesmo e
também como integrante da sociedade humana. O que não foi escrito e falado até
aqui foi sobre uma forma, um método ou uma técnica que o homem sempre intuiu
existir e poder praticar, não só no sentido de conquistar o conhecimento da sua
própria psicologia como também no de poder se orientar pela interpretação do
seu próprio pensar e sentir, ao em vez de servir de veículo de ideias e
pensamentos que terminam por fazê-lo prisioneiro de opiniões alheias sem
qualquer transcendência e que constantemente ameaçam a sua integridade física,
moral e espiritual, tornando-o inseguro, temeroso e vacilante diante de muitas
situações adversas que surgem no curso da vida.
Ao ignorar a estrutura
da sua constituição mental e psicológica, o homem crê, passivamente, que é
possível comandar a sua própria vida com lucidez e acerto, passando por cima
dos diversos sistemas, mecanismos e das leis regentes do funcionamento do seu
mundo interno extrafísico, continuando inteiramente alheio a existência dos
agentes-causais que estão por detrás de todas as boas e más ações do homem – o
que permitiu o seu compartilhamento no comando dos atos humanos – e ainda
acreditando que a cultura geral vigente – mesmo não sendo específica para esse
fim – possa lhe oferecer os recursos didáticos e pedagógicos de que necessita
para conquistar o conhecimento de si mesmo, o conhecimento dos seus semelhantes,
de Deus e de suas Leis Eternas.
Esta subversão de
valores tem origem na inexistência de “consciência
de vida”, pois como nos esclarece e nos ensina o
educador González Pecotche, todos nós, humanos, sem exceções, no mesmo instante
em que saímos do ventre materno entramos neste mundo terreno às cegas, sem
sabermos a ciência certa, onde está o verdadeiro e o falso e a partir daí nos
ocupamos exclusivamente do nosso ser físico, da nossa figura estética, da nossa
educação e cultura refinadamente condicionadas ao mundo externo-material,
buscando a exaltação do nosso conceito pessoal diante dos nossos semelhantes,
sem nos darmos conta do crescimento paralelo das nossas deficiências e
propensões psicológicas, dotadas de vida própria e autônomas que, por ignoradas
e não combatidas e eliminadas, nos condena à perda gradual da nossa
individualidade, quando não somos absorvidos pela massa anônima dos que nada
fazem para superarem-se como seres humanos, mesmo dotados de inteligência e
sensibilidade.
O conceito logosófico
de “consciência” difere notavelmente do conceito adotado pela generalidade
humana. Para esta ciência, consciência, é algo mais do que uma simples
expressão filosófica ou literária, quando lemos González Pecotche afirmar: “É uma realidade da qual está
alheia a imensa maioria dos seres humanos; alheia porque a ninguém ocorre que,
para ser verdadeiramente consciente em todos os instantes da vida – isto é,
quando se pensa, quando não se pensa, quando se trabalha ou não se faz nada,
quando se estuda ou não – e em todos os movimentos que executamos durante o
dia, quando andamos, sentamo-nos, comemos, bebemos, lemos, rimos ou estamos de mal
humor é necessário que a nossa consciência esteja atenta e nos recorde que,
para nos constituirmos em autênticos donos da nossa vida, devemos fazer dela
uma sucessão de fatos felizes, que aumentem o valor de seu conteúdo”.
A Logosofia é uma doutrina
de ordem transcendente e uma especialidade científica e metodológica que nos
ensina realizar o Processo de Evolução Consciente através do seu método
psicodinâmico para a formação e enriquecimento da nossa consciência de vida e
com ela experimentarmos uma felicidade que antes, por termos vividos alheios a
esta concepção, não nos era possível desfrutar.
Voinho, que bom ver você cada vez produzindo mais e buscando conhecimento.
ResponderExcluirUm beijo carinhoso,
Clarinha