A Herança de Si Mesmo

"Os grandes homens que se destacam através das três épocas clássicas em que se divide a história humana, sempre foram reconhecidos grandes por seus pensamentos e por suas idéias quando, após titânica e firme luta, conseguiram mover a atenção e fazer com que se advertisse o bem que continham. Em quantas mentes penetrou a luz de seus pensamentos e idéias! Quantas foram fecundadas com a semente das extraordinárias concepções daquelas inteligências que puseram ali todo o poder de sua influência criadora".
Carlos Bernardo González Pecotche - Criador da Logosofia

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


Deficiências e Propensões Psicológicas

por Hélio Cannizzaro



Que outra coisa causa ao ser humano mais amarguras, violências e sofrimentos do que as suas próprias deficiências e defeitos? Não são estes os que provocam as reações na vida de relação? E se tais perturbações têm por consequência grandes perdas de tempo, ao distraírem a atenção e violentar o caráter, é lógico pensar que, com essas perdas de tempo, ocorridas, segundo observa a Logosofia, com enorme frequência, a vida se torna, em sua maior parte, estéril, improdutiva, e se chega ao final dela tendo dado continuamente passos para a frente e para trás, quer dizer, desandando uma e outra vez o trajeto percorrido. Em resumo, ter-se-ia permanecido sempre no mesmo lugar. É por esta razão que a Logosofia enfoca diretamente em seu cerne o grande problema, resolvendo-o, com a eliminação das já mencionadas deficiências. Por força da Lei de Evolução, o ser humano deve preparar-se para lutar e vencer no seu próprio terreno, onde deverá edificar, com conhecimentos inabaláveis, uma nova vida (Do pensador e cientista argentino Carlos Bernardo González Pecotche-1901/1963 e destaque do livro Coletânea da Revista Logosofia, Tomo III, 1a edição, 2010, pg.140)”.



Se cada um de nós nos dispuser realizar uma análise da nossa própria psicologia e nos perguntarmos quais são as deficiências (defeitos) e propensões psicológicas de que somos portadores e porque consentimos que elas compartilhem do comando dos nossos atos, dos nossos gestos, das nossas palavras, enfim, da nossa própria vida – quase sempre por um tempo bastante prolongado e muitas vezes consumindo a nossa vida inteira – sem sermos capazes de nos livrarmos da influência negativa delas?

Se a resposta que encontrei para o meu caso for igual ou semelhante à da maioria, todos nós poderemos afirmar, em voz uníssona, que a nossa cultura geral vigente – adquirida e usada sempre para fora de nós mesmos, de forma utilitária, – nos induziu desenvolver inconscientemente uma acentuada tendência de sermos muito mais preparados, intelectiva e psicologicamente, para enxergar os defeitos dos nossos semelhantes e extremamente indulgentes com as nossas falhas. Daí o desconhecimento da existência das deficiências e propensões psicológicas em nós mesmos, introduzidas em nossa psicologia pelos agentes do mal de forma não percebida ou inconsciente, como nos revelam as originais e inéditas descobertas do pensador e cientista Carlos Bernardo González Pecotche.

Com notável sabedoria e atilada observação, González Pecotche percebeu que a rotina dos conhecimentos e os sistemas usados para a formação dos estudos correntes não guardavam a mínima conexão com a vida interna do ser humano e, após cuidadosas e profundas investigações, encontrou o veio-do-ouro para o desenvolvimento de transcendentais conhecimentos concebendo a “Logosofia”, ciência humana, criadora e depositária de conhecimentos concretos para a vida, passíveis todos eles de realização individual ao serem aplicados conscientemente à própria psicologia.

Uma grande dificuldade inicial nesse processo de evolução é surpreender a nossa própria realidade interna tal qual ela é e não como nós – de escassíssimos conhecimentos específicos sobre a nossa própria psicologia – podemos supor ou imaginar que seja. Essa dificuldade provém da nossa cultura que nos induziu à tendência de sermos muito benevolentes com as nossas próprias falhas – como afirmamos momentos atrás – o que nos impediu desenvolver a sabedoria de caminharmos para dentro de nós mesmos, identificar as nossas imperfeições e conhecer os imponderáveis recursos que o nosso mundo interno custodia.

Do encontro com a verdadeira realidade interna que desconhecíamos surgirá a necessidade de modificá-la e é então quando a Logosofia, assinalando as etapas do processo a serem cumpridas, põe ao alcance do nosso entendimento e da nossa sensibilidade, os ensinamentos apropriados.

Não se trata de afirmar ou negar para nós mesmos as deficiências psicológicas que em maior ou menor grau afetam a estabilidade da nossa psicologia. A verdade é que nós, na prática, não sabemos quais as deficiências que temos porque nenhuma investigação científica ou estudo específico neste campo nos foi oferecido até aqui como o faz a Logosofia descrevendo 44 deficiências e 22 propensões psicológicas, num total de 66 imperfeições do comportamento humano, todas elas factíveis de serem identificadas e comprovadas em nós mesmos. E mais: nos ensinando uma técnica para identificá-las, bloqueá-las, combate-las e extirpá-las em definitivo da nossa psicologia.

Uma outra dificuldade que conspira contra o propósito de estudar a questão é a falsa sensação de que nos falta tempo, sem percebermos que são as nossas próprias deficiências que nos preparam esta armadilha porque a elas não interessa nenhum conhecimento, nem método ou técnica que sejam capazes de identificá-las e muito menos de expulsá-las do seu confortável “habitat”.

No desenvolvimento do meu processo descobri que também experimentava essa mesma sensação de não dispor de tempo para estudar quando me dei conta que, igual a todos os seres humanos, eu dispunha de 24 horas diárias ou de 10.080 minutos por semana.

A Logosofia me despertou para compreender esse desperdício de energia mental e psicológica, ou seja, eu tinha tempo para alimentar várias deficiências psicológicas que ignorava existir na minha psicologia e por esta razão faltava tempo para cultivar virtudes que são valores positivos e permanentes que sustentam a nossa moral, o nosso ânimo e nos distingue dos demais reinos da Criação.

O comportamento e as deficiências psicológicas dos nossos semelhantes já não nos atraem tanto como outrora porque vamos descobrindo com a realização gradual do nosso processo de evolução que são as nossas deficiências que nos trazem amarguras, contrariedades, ansiedades, decepções, descontentamentos, inconformismos, antagonismos, perdas de amizades, chegando a extremos lamentáveis de nos sucumbirmos nas trocas da nossa alegria pelas tristezas; da paz pelos conflitos; do amor pelos rancores; da docilidade pelas asperezas; do saber pelas credulidades; da modéstia pelas presunções; da serenidade pelas veemências; da humildade pela vaidade ou soberba; enfim, trocas perversas e desvantajosas comandadas não pela nossa vontade e inteligência, mas impostas pela tirania das deficiências psicológicas de que somos portadores, sem sequer suspeitarmos das suas existências e do mal que elas produzem em nossa psicologia.

Contrariamente a outras ciências humanas do ramo, que têm uma didática de caráter extraindividual, ou seja, os seus conhecimentos são adquiridos e sempre usados para fora do homem, a Logosofia conferiu às suas concepções e princípios um caráter intraindividual. Na linguagem logosófica isso significa dizer que os seus ensinamentos são sempre dirigidos para a vida interna do ser humano, isto é, o que aprendemos com os seus ensinamentos são para aplicarmos em nós mesmos e nunca em nossos semelhantes. Se contrariarmos essa regra pedagógica da Logosofia estaremos dirigindo na contramão do seu método psicodinâmico, com inevitáveis ou fatais trombadas para o nosso Processo de Evolução Consciente.

Os estudantes da ciência Logosofia são seres humanos normais e semelhantes a todos os normais existentes no mundo inteiro, com ideias, ideais, aspirações, sonhos, convicções, esperanças, desejos, ambições, virtudes e também são portadores de deficiências e propensões psicológicas. Não são seres humanos perfeitos, mas seres fazendo esforço para realizar um processo de evolução e aperfeiçoamento do próprio comportamento, desenvolvido concomitantemente às suas atividades normais e oferecendo exemplos de conduta para os seus semelhantes que resistem ou se recusam sacrificar o seu comodismo e continuar dando rédeas soltas à sua inércia mental e volitiva.

O que me distingue como estudante de Logosofia de outras pessoas não estudantes é que eu tive a feliz oportunidade de tomar contato com esta nova ciência e me despertei para uma realidade até então por mim ignorada de que a minha vida obedecia a dois comandos distintos: um comando orientado pelas energias da minha vontade e das diretrizes da minha inteligência (ações de pensamentos positivos), e outro comando, imposto de forma tirânica pelas minhas deficiências e propensões psicológicas (ações de pensamentos negativos-autônomos), que agiam de forma oculta ao meu próprio entendimento e com inúmeros disfarces que imitavam a perfeição.

Diante desta insuspeitada descoberta, eu, como aspirante ao saber logosófico, e por decisão própria, parti para uma luta aberta contra essa divisão de comando e subversão interna, consagrando-me à realização do meu Processo de Evolução Consciente orientado pelos ensinamentos desta nova ciência humana e me tornando mais um participante de um movimento científico, cultural e educativo, criado há 81 anos por González Pecotche em “Prol da Superação Humana”.

Qualquer pessoa normal é livre para adotar a mesma decisão, bastando para isso tomar contato com as concepções, estudando e praticando os princípios da ciência Logosofia através dos vários livros que formam a sua grande Obra Cultural e Educativa criada pelo pensador e cientista Carlos Bernardo González Pecotche, se assim for do seu desejo e ao me dispensar a sua amável atenção ao ler este meu trabalho.

Finalmente, cumpro um dever moral de alertar que a Logosofia não é uma teoria a mais; não faz promessas; não tem poderes mágicos ou sobrenaturais; não opera  milagres nem é uma panaceia para os problemas pessoais ou particulares de ninguém porque ela é ciência, é método, é técnica, é arte e cultura formativa e educativa, ensinando-nos a conduzir cientifica e conscientemente a nossa vida para um viver feliz e estendendo esta Dádiva Humana a todos os nossos semelhantes.




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