Deficiências e
Propensões Psicológicas
por Hélio Cannizzaro
“Que outra coisa
causa ao ser humano mais amarguras, violências e sofrimentos do que as suas
próprias deficiências e defeitos? Não são estes os que provocam as reações na vida
de relação? E se tais perturbações têm por consequência grandes perdas de
tempo, ao distraírem a atenção e violentar o caráter, é lógico pensar que, com
essas perdas de tempo, ocorridas, segundo observa a Logosofia, com enorme
frequência, a vida se torna, em sua maior parte, estéril, improdutiva, e se
chega ao final dela tendo dado continuamente passos para a frente e para trás,
quer dizer, desandando uma e outra vez o trajeto percorrido. Em resumo,
ter-se-ia permanecido sempre no mesmo lugar. É por esta razão que a Logosofia
enfoca diretamente em seu cerne o grande problema, resolvendo-o, com a
eliminação das já mencionadas deficiências. Por força da Lei de Evolução, o ser
humano deve preparar-se para lutar e vencer no seu próprio terreno, onde deverá
edificar, com conhecimentos inabaláveis, uma nova vida (Do pensador e cientista
argentino Carlos Bernardo González Pecotche-1901/1963 e destaque do livro
Coletânea da Revista Logosofia, Tomo III, 1a edição, 2010, pg.140)”.
Se cada um de nós nos dispuser
realizar uma análise da nossa própria psicologia e nos perguntarmos quais são
as deficiências (defeitos) e propensões psicológicas de que somos portadores e
porque consentimos que elas compartilhem do comando dos nossos atos, dos nossos
gestos, das nossas palavras, enfim, da nossa própria vida – quase sempre por um
tempo bastante prolongado e muitas vezes consumindo a nossa vida inteira – sem
sermos capazes de nos livrarmos da influência negativa delas?
Se a resposta que
encontrei para o meu caso for igual ou semelhante à da maioria, todos nós
poderemos afirmar, em voz uníssona, que a nossa cultura geral vigente –
adquirida e usada sempre para fora de nós mesmos, de forma utilitária, – nos
induziu desenvolver inconscientemente uma acentuada tendência de sermos muito
mais preparados, intelectiva e psicologicamente, para enxergar os defeitos dos
nossos semelhantes e extremamente indulgentes com as nossas falhas. Daí o
desconhecimento da existência das deficiências e propensões psicológicas em nós
mesmos, introduzidas em nossa psicologia pelos agentes do mal de forma não
percebida ou inconsciente, como nos revelam as originais e inéditas descobertas
do pensador e cientista Carlos Bernardo González Pecotche.
Com notável sabedoria e
atilada observação, González Pecotche percebeu que a rotina dos conhecimentos e
os sistemas usados para a formação dos estudos correntes não guardavam a mínima
conexão com a vida interna do ser humano e, após cuidadosas e profundas
investigações, encontrou o veio-do-ouro para o desenvolvimento de
transcendentais conhecimentos concebendo a “Logosofia”, ciência humana,
criadora e depositária de conhecimentos concretos para a vida, passíveis todos
eles de realização individual ao serem aplicados conscientemente à própria
psicologia.
Uma grande dificuldade
inicial nesse processo de evolução é surpreender a nossa própria realidade
interna tal qual ela é e não como nós – de escassíssimos conhecimentos
específicos sobre a nossa própria psicologia – podemos supor ou imaginar que
seja. Essa dificuldade provém da nossa cultura que nos induziu à tendência de
sermos muito benevolentes com as nossas próprias falhas – como afirmamos
momentos atrás – o que nos impediu desenvolver a sabedoria de caminharmos para
dentro de nós mesmos, identificar as nossas imperfeições e conhecer os
imponderáveis recursos que o nosso mundo interno custodia.
Do encontro com a
verdadeira realidade interna que desconhecíamos surgirá a necessidade de
modificá-la e é então quando a Logosofia, assinalando as etapas do processo a serem
cumpridas, põe ao alcance do nosso entendimento e da nossa sensibilidade, os
ensinamentos apropriados.
Não se trata de afirmar
ou negar para nós mesmos as deficiências psicológicas que em maior ou menor
grau afetam a estabilidade da nossa psicologia. A verdade é que nós, na
prática, não sabemos quais as deficiências que temos porque nenhuma
investigação científica ou estudo específico neste campo nos foi oferecido até
aqui como o faz a Logosofia descrevendo 44 deficiências e 22 propensões
psicológicas, num total de 66 imperfeições do comportamento humano, todas elas
factíveis de serem identificadas e comprovadas em nós mesmos. E mais: nos
ensinando uma técnica para identificá-las, bloqueá-las, combate-las e
extirpá-las em definitivo da nossa psicologia.
Uma outra dificuldade
que conspira contra o propósito de estudar a questão é a falsa sensação de que
nos falta tempo, sem percebermos que são as nossas próprias deficiências que
nos preparam esta armadilha porque a elas não interessa nenhum conhecimento, nem
método ou técnica que sejam capazes de identificá-las e muito menos de
expulsá-las do seu confortável “habitat”.
No desenvolvimento do
meu processo descobri que também experimentava essa mesma sensação de não
dispor de tempo para estudar quando me dei conta que, igual a todos os seres
humanos, eu dispunha de 24 horas diárias ou de 10.080 minutos por semana.
A Logosofia me despertou
para compreender esse desperdício de energia mental e psicológica, ou seja, eu
tinha tempo para alimentar várias deficiências psicológicas que ignorava
existir na minha psicologia e por esta razão faltava tempo para cultivar
virtudes que são valores positivos e permanentes que sustentam a nossa moral, o
nosso ânimo e nos distingue dos demais reinos da Criação.
O comportamento e as
deficiências psicológicas dos nossos semelhantes já não nos atraem tanto como
outrora porque vamos descobrindo com a realização gradual do nosso processo de
evolução que são as nossas deficiências que nos trazem amarguras,
contrariedades, ansiedades, decepções, descontentamentos, inconformismos,
antagonismos, perdas de amizades, chegando a extremos lamentáveis de nos
sucumbirmos nas trocas da nossa alegria pelas tristezas; da paz pelos
conflitos; do amor pelos rancores; da docilidade pelas asperezas; do saber
pelas credulidades; da modéstia pelas presunções; da serenidade pelas
veemências; da humildade pela vaidade ou soberba; enfim, trocas perversas e
desvantajosas comandadas não pela nossa vontade e inteligência, mas impostas
pela tirania das deficiências psicológicas de que somos portadores, sem sequer
suspeitarmos das suas existências e do mal que elas produzem em nossa
psicologia.
Contrariamente a outras
ciências humanas do ramo, que têm uma didática de caráter extraindividual, ou
seja, os seus conhecimentos são adquiridos e sempre usados para fora do homem,
a Logosofia conferiu às suas concepções e princípios um caráter
intraindividual. Na linguagem logosófica isso significa dizer que os seus
ensinamentos são sempre dirigidos para a vida interna do ser humano, isto é, o
que aprendemos com os seus ensinamentos são para aplicarmos em nós mesmos e
nunca em nossos semelhantes. Se contrariarmos essa regra pedagógica da
Logosofia estaremos dirigindo na contramão do seu método psicodinâmico, com
inevitáveis ou fatais trombadas para o nosso Processo de Evolução Consciente.
Os estudantes da ciência
Logosofia são seres humanos normais e semelhantes a todos os normais existentes
no mundo inteiro, com ideias, ideais, aspirações, sonhos, convicções,
esperanças, desejos, ambições, virtudes e também são portadores de deficiências
e propensões psicológicas. Não são seres humanos perfeitos, mas seres fazendo
esforço para realizar um processo de evolução e aperfeiçoamento do próprio
comportamento, desenvolvido concomitantemente às suas atividades normais e
oferecendo exemplos de conduta para os seus semelhantes que resistem ou se
recusam sacrificar o seu comodismo e continuar dando rédeas soltas à sua
inércia mental e volitiva.
O que me distingue como
estudante de Logosofia de outras pessoas não estudantes é que eu tive a feliz
oportunidade de tomar contato com esta nova ciência e me despertei para uma
realidade até então por mim ignorada de que a minha vida obedecia a dois
comandos distintos: um comando orientado pelas energias da minha vontade e das
diretrizes da minha inteligência (ações de pensamentos positivos), e outro
comando, imposto de forma tirânica pelas minhas deficiências e propensões
psicológicas (ações de pensamentos negativos-autônomos), que agiam de forma oculta
ao meu próprio entendimento e com inúmeros disfarces que imitavam a perfeição.
Diante desta
insuspeitada descoberta, eu, como aspirante ao saber logosófico, e por decisão
própria, parti para uma luta aberta contra essa divisão de comando e subversão
interna, consagrando-me à realização do meu Processo de Evolução Consciente
orientado pelos ensinamentos desta nova ciência humana e me tornando mais um
participante de um movimento científico, cultural e educativo, criado há 81
anos por González Pecotche em “Prol da Superação Humana”.
Qualquer pessoa normal é
livre para adotar a mesma decisão, bastando para isso tomar contato com as
concepções, estudando e praticando os princípios da ciência Logosofia através
dos vários livros que formam a sua grande Obra Cultural e Educativa criada
pelo pensador e cientista Carlos Bernardo González Pecotche, se assim for do
seu desejo e ao me dispensar a sua amável atenção ao ler este meu trabalho.
Finalmente, cumpro um
dever moral de alertar que a Logosofia não é uma teoria a mais; não faz
promessas; não tem poderes mágicos ou sobrenaturais; não opera milagres nem é uma panaceia para os problemas
pessoais ou particulares de ninguém porque ela é ciência, é método, é técnica,
é arte e cultura formativa e educativa, ensinando-nos a conduzir cientifica e
conscientemente a nossa vida para um viver feliz e estendendo esta Dádiva Humana
a todos os nossos semelhantes.
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